Analises apontam que as reuniões podem influenciar a formação de alianças nas próximas eleições estaduais, incluindo a possível formação de uma chapa para governo e Senado.
Marília Arraes e Raquel Lyra. Foto: Arte/Portal de Prefeitura
A passagem do presidente nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Carlos Lupi, pelo Recife nesta quinta-feira, 12 de março, ocorre em um momento de intensas movimentações políticas em Pernambuco.
A agenda do dirigente incluiu um encontro pela manhã com a governadora Raquel Lyra, do Partido Social Democrático (PSD), e um jantar à noite com a ex-deputada federal Marília Arraes.
As reuniões são interpretadas como parte de articulações que podem influenciar a formação de alianças para as próximas eleições estaduais.
Nos bastidores da política pernambucana, cresce a possibilidade de Marília Arraes ingressar no PDT. A ex-parlamentar é apontada como um dos principais nomes na disputa por uma vaga no Senado Federal e tem participado de conversas com diferentes lideranças partidárias.
Informações divulgadas pela coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, indicam que uma das alternativas em análise envolve uma composição política entre o PDT e o governo estadual.
Nesse cenário, o partido poderia apoiar uma eventual candidatura de Raquel Lyra à reeleição, enquanto Marília Arraes integraria a chapa majoritária como candidata ao Senado.
Outro ponto que chama atenção nesse cenário é a retomada do diálogo entre Raquel Lyra e Marília Arraes. As duas voltaram a conversar recentemente, após um período de distanciamento político desde as eleições de 2022, quando estiveram em campos opostos durante o segundo turno da disputa pelo governo estadual.
A ex-deputada federal Marília Arraes (Solidariedade) voltou ao centro do debate político em Pernambuco após publicar um vídeo nas redes sociais em que questiona a resistência de setores da classe política à sua possível candidatura ao Senado Federal em 2026. (veja vídeo abaixo)
Na gravação, Marília levanta reflexões sobre desigualdade de tratamento na política e aponta o que considera um debate antecipado e marcado por ansiedade em torno das vagas majoritárias.
“Se fosse um homem, com o meu histórico na política e com essas intenções de voto em pesquisa, será que estaria sendo desconsiderado?”, questiona a ex-parlamentar no vídeo.
Vídeo:
Marília cita o fato de ter disputado as duas maiores eleições majoritárias do estado, em 2020 e 2022, chegando ao segundo turno em ambas, além de liderar pesquisas para o Senado, como elementos que, segundo ela, deveriam ser considerados no debate político.
Na avaliação de Marília Arraes, a cobrança pública sobre quem será ou não candidato ao Senado ocorre de forma precipitada. Segundo ela, historicamente, essa é uma das últimas vagas a ser definida nas articulações eleitorais.
A ex-deputada também criticou o que classificou como “pressão indevida” sobre possíveis nomes, inclusive sobre o prefeito do Recife, João Campos (PSB), frequentemente citado como potencial candidato ao Governo de Pernambuco em 2026, embora ainda não tenha confirmado oficialmente a intenção de disputar o cargo.
“A gente não tem que estar complicando o processo político”, afirmou Marília no vídeo, ao mencionar que há lideranças que estariam “sendo candidatas de si mesmas”, criando entraves ao diálogo dentro do campo de oposição.
O posicionamento público ocorre dias após Marília confirmar que manteve uma conversa recente com a irmã, a deputada federal Maria Arraes (SD), sobre os rumos eleitorais de 2026. Apesar de admitir a possibilidade de Maria reavaliar seus planos, Marília afirmou que isso não altera seu próprio projeto político, mantendo-se como pré-candidata ao Senado.
Em resposta a uma publicação do Blog do Magno, que apontava uma suposta articulação do prefeito João Campos para que Marília disputasse a Câmara Federal e Maria Arraes concorresse à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), a ex-deputada enviou uma carta negando a informação. No texto, ela classificou as especulações como fruto de “açodamento e ansiedade” em torno das eleições de 2026.
Na carta, Marília Arraes relembra que, desde 2022, atua na construção e no fortalecimento de um campo de oposição em Pernambuco, alinhado ao presidente Lula, à defesa da democracia e ao combate às desigualdades sociais. Ela destaca que representou esse projeto político nas eleições majoritárias de 2020 e 2022, quando chegou ao segundo turno de forma competitiva, acumulando capital político e respaldo popular.
Marília também ressaltou a aliança política e programática com João Campos, classificando a relação como pautada pelo respeito mútuo. Segundo ela, nenhuma declaração oficial foi feita, nem por ela nem pelo prefeito, sobre candidaturas específicas para 2026.
O debate ocorre em meio à divulgação da mais recente pesquisa Datafolha/CBN sobre a corrida pelo Senado em Pernambuco. O levantamento, realizado entre os dias 2 e 5 de fevereiro, ouviu 1.022 eleitores em diferentes regiões do estado e apresenta margem de erro de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
No cenário principal, Marília Arraes aparece na liderança com 36% das intenções de voto, seguida pelo senador Humberto Costa (PT), com 24%. Miguel Coelho (UB) e Eduardo da Fonte (PP) surgem empatados com 18%, enquanto Armando Monteiro (PODE) registra 12%. Outros nomes aparecem com percentuais menores.
Em simulações sem alguns candidatos, Marília amplia a vantagem, chegando a 40% e 41% das intenções de voto em cenários alternativos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob os números PE-09595/2026 e BR-06559/2026.
Apesar da liderança nas pesquisas, Marília Arraes reforça que defende que decisões sobre disputas majoritárias sejam tomadas no “momento correto”, com maturidade política e diálogo com a população.
“O mais importante é o chamado do povo de Pernambuco”, afirmou no vídeo, ao reiterar que se coloca à disposição desse processo.
O cenário para 2026, no entanto, segue indefinido, com movimentações ainda em estágio inicial e disputas internas que devem se intensificar nos próximos meses.
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