Pernambuco, 12 de Março de 2026

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Presidente do PDT se reúne com Raquel Lyra e Marília Arraes e nova chapa é especulada

Analises apontam que as reuniões podem influenciar a formação de alianças nas próximas eleições estaduais, incluindo a possível formação de uma chapa para governo e Senado.

Fernanda Diniz

12 de março de 2026 às 12:44   - Atualizado às 13:13

Marília Arraes e Raquel Lyra.

Marília Arraes e Raquel Lyra. Foto: Arte/Portal de Prefeitura

A passagem do presidente nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Carlos Lupi, pelo Recife nesta quinta-feira, 12 de março, ocorre em um momento de intensas movimentações políticas em Pernambuco.

A agenda do dirigente incluiu um encontro pela manhã com a governadora Raquel Lyra, do Partido Social Democrático (PSD), e um jantar à noite com a ex-deputada federal Marília Arraes.

As reuniões são interpretadas como parte de articulações que podem influenciar a formação de alianças para as próximas eleições estaduais.

Nos bastidores da política pernambucana, cresce a possibilidade de Marília Arraes ingressar no PDT. A ex-parlamentar é apontada como um dos principais nomes na disputa por uma vaga no Senado Federal e tem participado de conversas com diferentes lideranças partidárias.

Informações divulgadas pela coluna Painel, do jornal Folha de S.Paulo, indicam que uma das alternativas em análise envolve uma composição política entre o PDT e o governo estadual.

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Nesse cenário, o partido poderia apoiar uma eventual candidatura de Raquel Lyra à reeleição, enquanto Marília Arraes integraria a chapa majoritária como candidata ao Senado.

Outro ponto que chama atenção nesse cenário é a retomada do diálogo entre Raquel Lyra e Marília Arraes. As duas voltaram a conversar recentemente, após um período de distanciamento político desde as eleições de 2022, quando estiveram em campos opostos durante o segundo turno da disputa pelo governo estadual.

Marília fala sobre dificuldade nas eleições de 2026

A ex-deputada federal Marília Arraes (Solidariedade) voltou ao centro do debate político em Pernambuco após publicar um vídeo nas redes sociais em que questiona a resistência de setores da classe política à sua possível candidatura ao Senado Federal em 2026. (veja vídeo abaixo)

Na gravação, Marília levanta reflexões sobre desigualdade de tratamento na política e aponta o que considera um debate antecipado e marcado por ansiedade em torno das vagas majoritárias.

“Se fosse um homem, com o meu histórico na política e com essas intenções de voto em pesquisa, será que estaria sendo desconsiderado?”, questiona a ex-parlamentar no vídeo.

Vídeo: 

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Marília cita o fato de ter disputado as duas maiores eleições majoritárias do estado, em 2020 e 2022, chegando ao segundo turno em ambas, além de liderar pesquisas para o Senado, como elementos que, segundo ela, deveriam ser considerados no debate político.

Críticas à pressão antecipada e ao cenário majoritário

Na avaliação de Marília Arraes, a cobrança pública sobre quem será ou não candidato ao Senado ocorre de forma precipitada. Segundo ela, historicamente, essa é uma das últimas vagas a ser definida nas articulações eleitorais.

A ex-deputada também criticou o que classificou como “pressão indevida” sobre possíveis nomes, inclusive sobre o prefeito do Recife, João Campos (PSB), frequentemente citado como potencial candidato ao Governo de Pernambuco em 2026, embora ainda não tenha confirmado oficialmente a intenção de disputar o cargo.

“A gente não tem que estar complicando o processo político”, afirmou Marília no vídeo, ao mencionar que há lideranças que estariam “sendo candidatas de si mesmas”, criando entraves ao diálogo dentro do campo de oposição.

Relação com Maria Arraes e resposta a especulações

O posicionamento público ocorre dias após Marília confirmar que manteve uma conversa recente com a irmã, a deputada federal Maria Arraes (SD), sobre os rumos eleitorais de 2026. Apesar de admitir a possibilidade de Maria reavaliar seus planos, Marília afirmou que isso não altera seu próprio projeto político, mantendo-se como pré-candidata ao Senado.

Em resposta a uma publicação do Blog do Magno, que apontava uma suposta articulação do prefeito João Campos para que Marília disputasse a Câmara Federal e Maria Arraes concorresse à Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), a ex-deputada enviou uma carta negando a informação. No texto, ela classificou as especulações como fruto de “açodamento e ansiedade” em torno das eleições de 2026.

Construção da oposição e capital político

Na carta, Marília Arraes relembra que, desde 2022, atua na construção e no fortalecimento de um campo de oposição em Pernambuco, alinhado ao presidente Lula, à defesa da democracia e ao combate às desigualdades sociais. Ela destaca que representou esse projeto político nas eleições majoritárias de 2020 e 2022, quando chegou ao segundo turno de forma competitiva, acumulando capital político e respaldo popular.

Marília também ressaltou a aliança política e programática com João Campos, classificando a relação como pautada pelo respeito mútuo. Segundo ela, nenhuma declaração oficial foi feita, nem por ela nem pelo prefeito, sobre candidaturas específicas para 2026.

Pesquisa Datafolha aponta liderança de Marília

O debate ocorre em meio à divulgação da mais recente pesquisa Datafolha/CBN sobre a corrida pelo Senado em Pernambuco. O levantamento, realizado entre os dias 2 e 5 de fevereiro, ouviu 1.022 eleitores em diferentes regiões do estado e apresenta margem de erro de três pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

No cenário principal, Marília Arraes aparece na liderança com 36% das intenções de voto, seguida pelo senador Humberto Costa (PT), com 24%. Miguel Coelho (UB) e Eduardo da Fonte (PP) surgem empatados com 18%, enquanto Armando Monteiro (PODE) registra 12%. Outros nomes aparecem com percentuais menores.

Em simulações sem alguns candidatos, Marília amplia a vantagem, chegando a 40% e 41% das intenções de voto em cenários alternativos. O levantamento foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob os números PE-09595/2026 e BR-06559/2026.

Apesar da liderança nas pesquisas, Marília Arraes reforça que defende que decisões sobre disputas majoritárias sejam tomadas no “momento correto”, com maturidade política e diálogo com a população.

“O mais importante é o chamado do povo de Pernambuco”, afirmou no vídeo, ao reiterar que se coloca à disposição desse processo.

O cenário para 2026, no entanto, segue indefinido, com movimentações ainda em estágio inicial e disputas internas que devem se intensificar nos próximos meses.

 

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