Além do gestor municipal, também foram denunciados Jonas Luiz do Nascimento e Juliana Barbosa da Silva Aguiar, prefeita de Casinhas e esposa de Cléber Chaparral.
30 de junho de 2026 às 13:03 - Atualizado às 13:52
Prefeito de Surubim, Cléber Chaparral (União Brasil), conhecido como "Chaparral". Foto: Reprodução/Redes sociais
O prefeito de Surubim, Cléber Chaparral (União Brasil), conhecido como "Chaparral", tornou-se réu em uma ação penal na Justiça Eleitoral por suposta compra de votos durante as eleições municipais de 2024. A denúncia foi apresentada pelo Ministério Público Eleitoral (MPE), que aponta o gestor como mentor e beneficiário de um esquema destinado à obtenção de apoio eleitoral.
O caso ganhou repercussão poucos dias após Chaparral chamar o cantor Gusttavo Lima de "ladrão", em meio à polêmica envolvendo o cancelamento de um show no município. (confira o momento abaixo)
Além do prefeito, também foram denunciados Jonas Luiz do Nascimento e Juliana Barbosa da Silva Aguiar, prefeita de Casinhas e esposa de Cléber Chaparral. Segundo o Ministério Público Eleitoral, o grupo teria oferecido dinheiro, materiais de construção, exames e cirurgias a eleitores de Surubim em troca de votos durante a campanha eleitoral.
As investigações começaram após Jonas Luiz do Nascimento ser abordado pela polícia enquanto acompanhava uma comitiva de Juliana Barbosa da Silva Aguiar. Conforme a denúncia, ele fugiu ao perceber a aproximação da viatura, abandonando um veículo.
No interior do automóvel, segundo o Ministério Público Eleitoral, foram encontrados R$ 23,7 mil em dinheiro, cadernos com listas de eleitores organizadas por localidades, anotações consideradas relacionadas ao processo eleitoral e pedidos de exames médicos e cirurgias de catarata destinados a terceiros.
Por envolver possível crime eleitoral, o caso foi encaminhado à Polícia Federal. De acordo com a corporação, os elementos apreendidos sustentam a investigação ao indicar a suposta organização e distribuição de vantagens indevidas com o objetivo de influenciar o voto de eleitores.
Na época dos fatos investigados, Cléber Chaparral exercia o mandato de deputado estadual. No entanto, a Justiça Eleitoral entendeu que não havia relação entre os fatos investigados e o exercício do cargo, afastando a aplicação do foro por prerrogativa de função.
Além da condenação pelos supostos crimes eleitorais, o Ministério Público Eleitoral também pediu a fixação de indenização por danos morais coletivos no valor de R$ 100 mil.
Em nota, a defesa de Cléber Chaparral afirmou que os fatos narrados na denúncia já foram analisados pela Justiça Eleitoral por meio de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), que, segundo os advogados, foi julgada improcedente.
De acordo com a defesa, a ação "tratou do mesmo núcleo fático e, após extensa instrução processual, foi julgada totalmente improcedente, afastando a existência de abuso de poder, compra de votos, distribuição de dinheiro, materiais de construção, consultas médicas ou qualquer outra irregularidade eleitoral".
Os advogados também destacaram que "o Ministério Público Eleitoral participou de toda a instrução da Ação e, mesmo assim, não interpôs recurso contra a sentença absolutória, circunstância que reforça a inexistência de novos elementos probatórios capazes de modificar as conclusões já alcançadas pelo Poder Judiciário".
A defesa afirmou ainda que, na manifestação apresentada à Justiça Eleitoral de Surubim, sustentou que "não existe qualquer elemento de prova que vincule Cléber Chaparral à suposta compra de votos".
Por fim, os advogados acrescentaram que "a denúncia não identifica um único eleitor que tenha recebido vantagem em troca de voto, não individualiza qualquer conduta atribuída ao prefeito e se apoia em inferências já afastadas pela prova produzida na AIJE". A defesa declarou confiar na Justiça Eleitoral e afirmou estar convicta de que a ação penal terá o mesmo desfecho da ação anteriormente julgada improcedente.
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