Prefeito de Pedro do Rosário e Donald Trump. Foto: Divulgação
O prefeito de Pedro do Rosário, cidade do Maranhão, adiou o pagamento de valores retroativos a servidores municipais, alegando impactos da nova política tarifária do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A decisão suspendeu o repasse de direitos como progressões salariais, promoções, adicionais por tempo de serviço e quinquênios, que deveriam começar a ser pagos neste mês de agosto.
O acordo que previa o pagamento foi firmado em maio deste ano entre a prefeitura e o Sindicato dos Funcionários Públicos de Pedro do Rosário. O acerto contemplava servidores que, ao longo dos últimos anos, tiveram avanços de carreira e mudanças de função, acumulando valores não pagos pela administração municipal.
No dia 29 de julho, o prefeito Domingos Erinaldo Sousa Serra, conhecido como Toca Serra (PCdoB), enviou um comunicado ao sindicato informando que o pagamento seria adiado.
No texto, ele apontou que o tarifaço imposto por Donald Trump, que elevou para 50% as taxas sobre produtos brasileiros, poderia reduzir a arrecadação federal.
Segundo o prefeito, essa queda teria refletido nos repasses constitucionais feitos aos municípios, como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e o Fundeb, comprometendo a capacidade de honrar os retroativos.
O documento destaca que a decisão foi tomada “por prudência” diante de um cenário internacional incerto, com possível redução nas receitas que sustentam parte do orçamento municipal.
Apesar disso, dados do Monitor do Comércio Exterior Brasileiro, divulgados pelo portal UOL, mostram que Pedro do Rosário não registrou nenhuma exportação em 2025. A informação contraria a relação direta entre a medida dos Estados Unidos e a arrecadação do município, já que a cidade não comercializa produtos com o mercado norte-americano.
O Sindicato dos Funcionários Públicos contesta a justificativa da prefeitura. A entidade argumenta que o compromisso de quitar os retroativos é anterior ao tarifaço e que os valores se referem a direitos adquiridos, acumulados ao longo dos anos, não sendo parte dos salários regulares.
Para o sindicato, o atraso representa um descumprimento do acordo firmado ainda em 2023, independentemente do cenário econômico internacional.
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