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'Caça Comunistas': PF descobre organização envolvida com espionagem e assassinatos de autoridades

O grupo mantinha tabelas impressas com os valores cobrados para cometer os crimes de acordo com o cargo da vítima, como ministros do STF e parlamentares federais.

Ricardo Lélis

28 de maio de 2025 às 10:18   - Atualizado às 10:18

Armas apreendidas pela Polícia Federal.

Armas apreendidas pela Polícia Federal. Foto: Divulgação/ PF

A investigação da Polícia Federal (PF) sobre o assassinato do advogado Roberto Zampieri, ocorrido em 2023, em Cuiabá (MT), levou à descoberta de uma organização criminosa empresarial envolvida em espionagem, assassinatos por encomenda e, segundo os investigadores, com ramificações no Judiciário e participação de militares da ativa e da reserva.

Nesta quarta-feira (28), cinco suspeitos foram presos em uma operação autorizada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin.

As prisões ocorreram em Mato Grosso, Goiás e Minas Gerais. A PF também cumpriu seis mandados de busca e apreensão e ordens de monitoramento eletrônico.

Os alvos não detidos terão que cumprir medidas cautelares, como recolhimento domiciliar noturno, proibição de contato entre si e entrega dos passaportes.

De acordo com as investigações, o grupo se autodenominava “Comando C4” – sigla para Comando de Caça Comunistas, Corruptos e Criminosos.

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A PF afirma que o assassinato de Zampieri foi motivado por uma disputa judicial envolvendo terras avaliadas em mais de R$ 100 milhões.

A apuração também revelou um suposto esquema de venda de sentenças no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. As suspeitas se estenderam ao Superior Tribunal de Justiça (STJ), mas ainda não há detalhes sobre envolvimento direto de magistrados.

Segundo documentos obtidos pela GloboNews, o grupo mantinha tabelas impressas com os valores cobrados para assassinatos, de acordo com o cargo da vítima:

  • “Figuras normais”: R$ 50 mil
  • Deputados: R$ 100 mil
  • Senadores: R$ 150 mil
  • Ministros e membros do Judiciário: R$ 250 mil

Não há confirmação se alvos com esses cargos chegaram a ser espionados ou se os valores eram apenas projeções do grupo.

Também foram listados equipamentos bélicos que estariam à disposição para as ações criminosas, entre eles:

  • 5 fuzis de “snipper” (sic) com silenciador
  • 15 pistolas com silenciador
  • Lança-rojão tipo AT 34 de ombro
  • Minas magnéticas e explosivos com detonação remota
  • 10 veículos (entre Doblò e modelos pequenos)
  • Placas frias

Parte do armamento foi apreendida em um endereço em Minas Gerais.

Segundo a TV Globo e a Polícia Civil de Mato Grosso, os presos nesta etapa da investigação são:

  • Aníbal Manoel Laurindo – produtor rural e suposto mandante;
  • Coronel Luiz Cacadini – apontado como financiador;
  • Antônio Gomes da Silva – suspeito de ser o atirador;
  • Hedilerson Barbosa – intermediador e dono da pistola 9mm usada no crime;
  • Gilberto Louzada da Silva – envolvimento ainda não detalhado.

A Polícia Federal confirmou os indiciamentos feitos anteriormente pela Polícia Civil e ampliou o foco da apuração, incluindo os indícios de organização criminosa, violação de decisões judiciais e participação militar em ações ilegais.

 

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