O contrato de R$ 5,6 milhões, foi firmado entre o MDS e uma entidade liderada por um ex-assessor do PT. Os recursos são repassados para outras ONGs.
Lula e Wellington Dias, ministro do Desenvolvimento Social. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Ministério do Desenvolvimento Social firmou um contrato de R$ 5,6 milhões com uma Organização Não-Governamental (ONG) liderada por um ex-assessor do PT. A entidade repassa recursos para outras ONGs comandadas por atuais e ex-assessores de parlamentares petistas.
No entanto, visitas feitas pelo O GLOBO a endereços indicados para a produção e distribuição das quentinhas não encontraram evidências dessas atividades.
O contrato, assinado em novembro de 2024, integra o programa Cozinha Solidária, lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A proposta busca distribuir refeições para pessoas em situação de vulnerabilidade, como moradores de rua.
O Ministério, comandado por Wellington Dias (PT), informou que monitorará o andamento do projeto e, caso encontre irregularidades, poderá cortar repasses ou exigir a devolução dos valores.
“O ministério adotará medidas cabíveis caso encontre falhas na execução do projeto, incluindo o corte de recursos, devolução à União e inabilitação das cozinhas”, afirmou a pasta.
A iniciativa se espalha por 12 estados. Em São Paulo, o Movimento Organizacional Vencer, Educar e Realizar (Mover Helipa) venceu o edital de chamamento público.
A ONG é liderada por José Renato Varjão, ex-assessor do deputado federal Nilto Tatto (PT-SP) e do deputado estadual Ênio Tatto (PT). Varjão subcontratou outras ONGs vinculadas a assessores petistas para produzir e distribuir as refeições.
Uma dessas ONGs é a Cozinha Solidária Madre Teresa de Calcutá, localizada no bairro Jardim Varginha, na Zona Sul de São Paulo. O contrato estipula a entrega de 4.583 quentinhas mensais por um ano.
Contudo, ao visitar o endereço na última quinta-feira, 30 de janeiro, O GLOBO encontrou o local fechado. Vizinhos afirmaram desconhecer qualquer distribuição de marmitas ali.
A ONG pertence a Paula Souza Costa, ex-assessora do ex-vereador Arselino Tatto (PT). Paula afirmou por telefone que entregou 250 quentinhas em janeiro em parceria com outra ONG.
Essa quantidade, entretanto, corresponde a apenas 5% do volume contratado mensalmente. Apesar disso, ela recebeu R$ 11 mil por refeições supostamente produzidas em dezembro de 2024, mesmo sem entregas documentadas.
O GLOBO apurou ainda que o endereço registrado pela ONG na Receita Federal não corresponde ao informado ao governo. No local indicado na Receita, não há estrutura para a produção de refeições. Além disso, um relatório enviado ao governo inclui fotos de crianças recebendo pratos em outro endereço, pertencente a uma ONG distinta.
Após a visita da reportagem, representantes da ONG alegaram que a distribuição das quentinhas está em processo de "migração" para o endereço informado ao Ministério.
Arselino e Ênio Tatto, ao serem questionados, destacaram que seus ex-assessores desenvolvem "trabalho social sério" e que as ONGs comandadas por eles podem participar de programas públicos sem o envolvimento direto dos parlamentares.
O Ministério do Desenvolvimento Social declarou que continuará acompanhando o projeto e tomará medidas rigorosas caso sejam constatadas irregularidades.
Da redação do Portal com informações do O GLOBO.
3
14:50, 13 Fev
25
°c
Fonte: OpenWeather
A apresentação acontecerá na Marquês de Sapucaí e terá como tema a trajetória pessoal e política do chefe do Executivo.
Nesta edição, o Governo de Pernambuco está investindo o valor recorde de R$ 87,2 milhões, garantindo mais tranquilidade aos foliões.
O parlamentar relembrou a polêmica envolvendo o certame para procurador, conhecida como caso do "fura-fila".
mais notícias
+