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Prefeito de Pesqueira, Cacique Marcos Xukuru, deve voltar ao comando da prefeitura no sábado (3)

O gestor estava afastado desde o início de abril, após a deflagração da Operação Pactum Amicis. A decisão judicial também determinou o bloqueio de bens dos investigados.

Jameson Ramos

02 de maio de 2025 às 12:31   - Atualizado em 03 de maio de 2025 às 12:36

Prefeito Cacique Marcos.

Prefeito Cacique Marcos. Foto: Beto Dantas/Portal de Prefeitura.

Depois de ser afastado por 30 dias do cargo após uma operação da Polícia Civil, o prefeito de Pesqueira, Cacique Marcos Xukuru, deve voltar ao comando do município no sábado, 3 de maio. 

Ao g1, a Prefeitura de Pesqueira disse que até esta sexta-feira, 2 de abril, não recebeu qualquer notificação oficial referente a denúncia ou decisão judicial que determine a prorrogação da medida de afastamento que atualmente está em vigor. 

O afastamento de Cacique Marcos ocorreu no início do mês de abril, logo após a deflagração da Operação Pactum Amicis. A decisão judicial também determinou o bloqueio de bens dos investigados para garantir o ressarcimento dos cofres públicos.

Desde o afastamento de Marcos, o comando da prefeitura estava sob a responsabilidade da vice-prefeita eleita, Cilene Martins. 

Entenda

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A investigação aponta que a Prefeitura de Pesqueira favorecia empresários em processos licitatórios como forma de retribuir apoio financeiro recebido durante a campanha de 2020. 

A apuração revela ainda que o valor do apoio financeiro dado à campanha de Cacique Marcos em 2020 girava em torno de R$ 2 milhões, valor que seria "recuperado" ao longo da gestão por meio dos contratos fraudulentos.

De acordo com o Ministério Público de Pernambuco (MPPE), pelo menos 15 licitações apresentaram indícios de irregularidades entre janeiro de 2021 e setembro de 2022. Uma troca de mensagens entre os irmãos Janaína e José Janailson Cavalcanti, que também figuram como réus, ajudou a embasar a denúncia.

Em um dos trechos, José Janailson afirma que o prefeito "é conivente com a safadeza" e que "não quer largar o osso". O diálogo mostra a insatisfação dos empresários com servidores públicos que cobravam propinas extras, além da disputa com outros grupos empresariais pelo favorecimento em contratos.

A Polícia Civil de Pernambuco deflagrou a Operação Pactum Amicis para investigar o caso. Durante as investigações, os promotores identificaram que o esquema seria dividido em dois núcleos: o "Público" e o "Privado".

O núcleo "Público", segundo o MPPE, seria composto por funcionários da prefeitura responsáveis por manipular os processos de licitação e liberar pagamentos irregulares. Já o núcleo "Privado" reunia empresários que pagavam propinas e participavam da lavagem de dinheiro.

O MPPE aponta Cacique Marcos como o líder da organização criminosa. O prefeito teria recebido, de forma ilícita, R$ 77 mil por meio de transações bancárias fracionadas, além de uma caminhonete Hilux para uso pessoal.

A denúncia sustenta que a fragmentação dos pagamentos servia para ocultar a origem dos recursos e dificultar a fiscalização.

Entre os denunciados do núcleo público estão Adailton Suesley Cintra Silva Taumaturgo, ex-secretário de Infraestrutura de Pesqueira; Francisco Alves do Nascimento, engenheiro responsável pela fiscalização de contratos; e Adilson Ferreira, que atuou como presidente das Comissões Permanentes de Licitação entre 2021 e 2022.

Do lado dos empresários, a denúncia inclui Paulo Antônio Paezinho de Araújo, da MGA Construtora Ltda, e José Washington Marques Cavalcanti, apontado como o verdadeiro dono da DLG Construtora Ltda, empresa registrada em nome de familiares para disfarçar as operações. Rozelli Cícera de Souza, Jaelson dos Santos Júnior e José Djailson Lopes da Silva, este último primeiro-tenente da Polícia Militar de Pernambuco, também figuram entre os réus.

A participação do tenente motivou a abertura de um processo disciplinar na Corregedoria da Secretaria de Defesa Social (SDS).

Além do prefeito, dois vereadores da base governista também respondem à acusação. Jucenildo José Simplício Freira, conhecido como Sil Xukuru (PT), e José Maria Alves Pereira Júnior, o Pastinha Xukuru (PP), ex-presidente da Câmara Municipal, são apontados como peças-chave do esquema de corrupção.

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