Pernambuco, 14 de Fevereiro de 2026

Inicio elemento rádio
Icone Rádio Portal

Ouça a Rádio Portal

Final elemento rádio

MPF pede cancelamento de concessões da Jovem Pan por desinformação nas Eleições 2022

As autoridades entenderam que a emissora cometeu abusos graves ao desinformar os ouvintes e veicular conteúdo que colocava em risco o regime democrático brasileiro.

Ricardo Lélis

15 de setembro de 2025 às 16:53   - Atualizado às 17:55

Microfone da Jovem Pan.

Microfone da Jovem Pan. Foto: Jovem Pan/ DIvulgação

O Ministério Público Federal (MPF) pediu nesta segunda-feira, 15 de setembro, o cancelamento das outorgas da Jovem Pan por desinformação antidemocrática ao longo de 2022 - ano da eleição presidencial mais conturbada da história recente do País.

As autoridades entenderam que a emissora cometeu abusos graves ao desinformar os ouvintes e veicular conteúdo que colocava em risco o regime democrático brasileiro.

A emissora foi procurada, mas ainda não atendeu aos pedidos de comentário do Estadão.

O pedido consta nas alegações finais protocoladas ao fim do prazo concedido pela Justiça Federal para as considerações conclusivas das partes.

A manifestação faz parte de uma ação civil pública ajuizada pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão, em 2023, contra a empresa.

Veja Também

O MPF também pede a condenação da Jovem Pan ao pagamento de R$ 13,4 milhões como indenização por danos morais coletivos.

A procuradoria diz que a Jovem Pan "teve papel fundamental na campanha de desinformação empreendida em 2022 para desacreditar as instituições nacionais e o processo eleitoral brasileiro, induzindo uma enorme quantidade de ouvintes em todo o país a duvidar da lisura das eleições" realizadas naquele ano.

"A veiculação sistemática, pela emissora, de informações falsas, acompanhadas de incitações reiteradas à desordem e à intervenção das Forças Armadas sobre os Poderes constituídos, foi um dos componentes essenciais para o clima de insurreição que os golpistas pretendiam instaurar", afirma o órgão.

O documento também define a emissora como "a principal caixa de ressonância, na esfera pública brasileira, para discursos que pavimentavam as ações golpistas que vieram a ser desveladas, dando-lhes uma aparência indevida de suposta legitimidade".

A investigação da trama golpista

A acusação da Procuradoria-Geral da República (PGR) que levou à condenação no Supremo Tribunal Federal (STF) do ex-presidente Jair Bolsonaro e a cúpula de seu governo contribui para a punição pedida pelo MPF à Jovem Pan.

A investigação da Polícia Federal (PF), que embasou a acusação da PGR, encontrou uma troca de mensagens entre os tenentes-coronéis Sérgio Cavaliere e Ronald Ferreira de Araújo Júnior, kids pretos envolvidos no plano de assassinato de autoridades, em que eles conversam sobre contar com a ajuda do então comentarista da Jovem Pan, Paulo Figueiredo, para o projeto de poder.

Em 28 de novembro de 2022, durante a orquestração da ruptura democrática, os kids pretos anteciparam a Figueiredo, segundo a PGR, o conteúdo da "Carta ao Comandante do Exército de Oficiais Superiores da Ativa do Exército Brasileiro". Tratava-se de um documento que para pressionar o Alto Comando do Exército a aderir ao golpe.

No programa Pingos nos Is da Jovem Pan daquela noite, Figueiredo expôs os nomes dos comandantes militares reticentes à empreitada golpista, de modo a elevar a pressão pública bolsonarista contra eles.

O ex-comentarista é citado 72 vezes nas alegações finais do MPF, inclusive como tendo "papel de destaque nas ilicitudes praticados pela Jovem Pan".

"Os apelos de comentaristas da Jovem Pan à ruptura institucional baseada em intervenção militar, à destituição e até mesmo à prisão de autoridades e à desobediência a ordens judiciais tornaram-se recorrentes no período e caracterizaram a própria linha editorial da emissora", afirma o MPF.

Abusos no Código Brasileiro de Telecomunicações

A Procuradoria alega que a Constituição e a legislação referente ao serviço pública de transmissão em rádio e TV proíbem as condutas adotadas pela Jovem Pan enquanto detentora de outorgas.

A avaliação é que atos como "incentivar a desobediência, veicular notícias falsas com perigo para a ordem pública, econômica e social e insuflar a rebeldia ou a indisciplina nas Forças Armadas", por exemplo, são classificados como abusos no exercício da liberdade de expressão no Código Brasileiro de Telecomunicações.

"A imposição judicial de medidas severas à Jovem Pan, proporcionais à gravidade dos fatos apurados, é fundamental para, traçando uma linha no chão, firmar que condutas como as praticadas pela emissora ora demandada são juridicamente inaceitáveis, e para que, atribuídos os ônus cabíveis, outras condutas análogas a elas não se repitam no futuro. Disso depende a garantia de que a comunicação pública brasileira nunca mais se ponha a serviço de aventuras antidemocráticas", diz o procurador regional dos Direitos do Cidadão adjunto em São Paulo, Yuri Corrêa da Luz.

Estadão Conteúdo

Mais Conteúdos

Mais Conteúdos

Mais Lidas

Icone Localização

Recife

03:31, 14 Fev

Imagem Clima

24

°c

Fonte: OpenWeather

Notícias Relacionadas

Padre processado e Gilberto Gil ao lado da filha Preta.
Conclusão

Padre que debochou da morte de Preta Gil em missa faz acordo com MPF para evitar ação penal

Em 2025, o sacerdote associou o falecimento da cantora à fé da artista em religiões de matriz africanas.

Feminicídio no Brasil
Artigo

Feminicídio não se combate com propaganda, mas com punição exemplar

Quando um homem agride, ameaça ou mata uma mulher, ele não age por ignorância, mas por convicção de que poderá recuperar sua liberdade em pouco tempo.

Prefeito João Campos ao lado de aliados.
Supremo

STF determina trancamento de investigação contra três secretárias da Prefeitura do Recife

Decisão do ministro Gilmar Mendes encerra apuração do Ministério Público de Pernambuco ao apontar ausência de elementos mínimos para continuidade do procedimento.

mais notícias

+

Newsletter