Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes Foto: Antônio Augusto/TSE
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, negou nesta sexta-feira, 17 de janeiro, o recurso do ex-presidente Jair Bolsonaro e manteve a apreensão do passaporte do ex-chefe do Executivo, que queria comparecer à posse de Donald Trump nos Estados Unidos.
O relator do inquérito do golpe foi categórico:
"Mantenho a decisão que indeferiu os pedidos formulados (por Bolsonaro) por seus próprios fundamentos".
No breve despacho, Moraes pediu uma nova manifestação da Procuradoria-Geral da República sobre o caso, em até cinco dias.
Antes, o órgão não viu "interesse público" que justificasse a flexibilização da restrição imposta ao ex-chefe do Executivo, indiciado por crime de golpe de Estado.
O chefe do Ministério Público Federal Paulo Gonet destacou como a viagem pretendia "satisfazer interesse privado" de Bolsonaro, o que não é "imprescindível".
Seguindo o parecer, Moraes negou na quinta, 16, o pedido do ex-presidente ressaltando que há possibilidade de "tentativa de evasão" de Bolsonaro "para se furtar à aplicação da lei penal".
Moraes destacou inclusive que Bolsonaro vem defendendo a fuga do Pais e o asilo no exterior para os diversos condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro.
Bolsonaro se irritou com a negativa.
"Não estou indo para uma festa de batizado, da filha ou da neta de ninguém. É um evento de posse da maior democracia do mundo", disse.
Foi então que a defesa resolveu insistir no pedido. Os advogados do ex-presidente argumentaram que ele tem respeitado as restrições que lhe foram impostas na Operação Tempus Veritatis.
Alegaram que "nada indica que a pontual devolução do passaporte, por período delimitado e justificado, possa colocar em risco" tal situação.
O pedido não compadeceu Moraes, que negou, mais uma vez, liberar o passaporte de Bolsonaro. No despacho assinado nesta sexta, 15, o magistrado também não citou o pedido do ex-presidente para que o caso passasse pelo crivo do Plenário do STF.
Estadão Conteúdo
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