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Montadoras avisam Lula que 50 mil empregos serão perdidos se governo facilitar negócio com a China

Na carta, as empresas estimam que o novo modelo pode levar à redução de cerca de R$ 60 bilhões nos investimentos anunciados para o setor automotivo.

Everthon Santos

29 de julho de 2025 às 11:49

Presidente da China, Xi Jiping, e presidente do Brasil, Lula.

Presidente da China, Xi Jiping, e presidente do Brasil, Lula. Foto: Ricardo Stuckert/PR

Os presidentes das quatro maiores montadoras de veículos do Brasil (Volkswagen, Toyota, Stellantis e General Motors) enviaram uma carta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), demonstrando preocupação com a possibilidade de o governo adotar uma medida que pode facilitar a entrada de veículos desmontados no país e beneficiar a China.

A proposta está sendo discutida no Palácio do Planalto sob a coordenação do ministro da Casa Civil, Rui Costa. Ela prevê a criação de incentivos para a importação de carros no modelo conhecido como SKD, sigla em inglês para veículos parcialmente desmontados, cujas peças são 100% produzidas no exterior e apenas montadas no Brasil.

Essa prática, segundo as montadoras, representa uma ameaça à indústria nacional, ao emprego e à rede de fornecedores que atua no setor.

Na carta, as empresas estimam que o novo modelo pode levar à redução de cerca de R$ 60 bilhões nos investimentos anunciados para o setor automotivo brasileiro. Atualmente, esse total é de aproximadamente R$ 180 bilhões.

As empresas também apontam que o impacto não se restringe às fábricas de carros. Segundo o setor, a demissão de 5 mil trabalhadores diretos pode gerar a perda de até 50 mil empregos indiretos, especialmente nas fábricas de autopeças e prestadoras de serviços.

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"Essa prática deletéria pode disseminar-se em toda a indústria, afetando diretamente a demanda de autopeças e de mão de obra" destaca o trecho do documento enviado ao presidente.

O movimento também tem o apoio de entidades do setor de autopeças. A Abipeças (Associação Brasileira da Indústria de Autopeças) e o Sindipeças (Sindicato Nacional da Indústria de Componentes para Veículos Automotores) também enviaram uma carta ao governo.

As entidades afirmam que a redução de tarifas para os veículos SKD e CKD (modelo similar, mas com um pouco mais de partes pré-montadas) pode gerar o que chamam de “concorrência inusitada” e alertam para uma “renúncia fiscal injustificada”.

"A combinação nefasta desses fatores irá, inquestionavelmente, provocar queda de produção e perda de empregos para a indústria brasileira de autopeças", afirmaram os representantes das entidades no documento.

Na prática, a preocupação gira em torno da forma como algumas montadoras estrangeiras, especialmente as chinesas, estão se estabelecendo no Brasil. Ao optarem por não fabricar peças em território nacional e apenas montar os carros com kits vindos de fora, essas empresas evitam custos com fornecedores locais e contratam menos funcionários.

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