Marilia Arraes Foto: Divulgação
A corrida pelas duas vagas de Pernambuco no Senado Federal mudou de configuração nos últimos meses. A nova pesquisa DataTrends mostra Marília Arraes ainda na liderança, mas com uma queda expressiva de 19 pontos percentuais em relação ao levantamento de maio. O movimento ocorre justamente em um período de forte reorganização das candidaturas, alianças e palanques para as eleições de 2026.
Na pesquisa realizada entre 30 de abril e 3 de maio, Marília aparecia com 49% das intenções de voto no primeiro cenário estimulado testado pelo instituto. Na nova rodada, realizada entre 12 e 14 de agosto, a ex-deputada registra 30%. A diferença representa uma redução de 19 pontos em pouco mais de três meses.
Apesar da queda, Marília continua numericamente à frente dos demais concorrentes. O problema para a candidatura é que o espaço entre ela e os nomes que aparecem logo atrás diminuiu consideravelmente.
Em maio, Marília tinha uma vantagem de 25 pontos sobre Humberto Costa, que aparecia com 24%. Eduardo da Fonte tinha 11%, enquanto outros nomes ocupavam posições mais distantes.
Agora, a fotografia é diferente. Marília aparece com 30%, Humberto Costa tem 23%, Mendonça Filho chega a 19% e Eduardo da Fonte registra 17%.
A diferença entre a líder e Mendonça caiu, portanto, para 11 pontos. Já Eduardo está 13 pontos atrás.
A mudança não está apenas na queda de Marília. O grupo de candidatos que disputa as posições seguintes ganhou musculatura ao longo do período, principalmente depois da definição das chapas e das alianças para a eleição.
Um dos principais elementos novos é a candidatura de Mendonça Filho ao Senado pelo PL.
O deputado federal oficializou a candidatura no dia 4 de agosto, durante a convenção estadual do partido. A entrada de Mendonça acrescentou uma candidatura competitiva no campo de centro-direita e alterou a composição da disputa.
A movimentação ganhou um componente adicional com a decisão de Miguel Coelho de desistir da candidatura ao Senado e declarar apoio a Mendonça Filho e Eduardo da Fonte. Miguel manteve, ao mesmo tempo, o apoio à reeleição de Raquel Lyra para o Governo de Pernambuco.
Eduardo da Fonte também passou a ocupar um espaço mais relevante no novo cenário.
O deputado foi confirmado como candidato ao Senado na chapa de Raquel Lyra após as negociações que tiraram Miguel Coelho da disputa. A definição consolidou Eduardo como um dos nomes do palanque governista para a disputa das duas cadeiras.
Na DataTrends mais recente, ele aparece com 17%, número que o coloca apenas dois pontos atrás de Mendonça Filho.
Na pesquisa de maio, Eduardo tinha 11% no primeiro cenário, o que representa crescimento de seis pontos nessa comparação específica.
O avanço acontece em meio a uma série de movimentos políticos envolvendo a base de Raquel Lyra e o grupo Coelho.
Miguel, embora tenha deixado a disputa pelo Senado, anunciou apoio a Mendonça. Ao mesmo tempo, o grupo político dos Coelho permaneceu alinhado à governadora e passou a integrar as articulações em torno da chapa governista.
Outro episódio que merece entrar na leitura política da pesquisa foi o rompimento de Álvaro Porto e Gabriel Porto com Marília Arraes, ocorrido no início de agosto.
Pouco depois, o grupo de Porto passou a apoiar Eduardo da Fonte. O movimento aconteceu praticamente às vésperas da nova pesquisa DataTrends e adicionou mais uma variável à disputa.
Os números, por si só, não permitem afirmar que o rompimento tenha provocado a queda de Marília ou o crescimento de Eduardo. Não existe, na pesquisa, uma forma de medir isoladamente o impacto de uma única aliança sobre a intenção de voto.
Mas a coincidência temporal chama atenção.
Marília perdeu 19 pontos em relação ao levantamento de maio. Eduardo cresceu na comparação dos cenários correspondentes. Mendonça entrou definitivamente na disputa e passou a ocupar 19% na nova fotografia.
A comparação entre as duas pesquisas ajuda a dimensionar a transformação.
| Candidato | Maio* | Agosto | Movimento |
|---|---|---|---|
| Marília Arraes | 49% | 30% | -19 p.p. |
| Eduardo da Fonte | 11% | 17% | +6 p.p. |
*Comparação com o primeiro cenário estimulado apresentado na pesquisa de maio.
No caso de Mendonça Filho, a comparação direta exige cuidado porque os cenários testados pelo DataTrends foram diferentes. Em maio, o candidato aparecia com 16% no segundo cenário e 12% no quarto, enquanto a pesquisa de agosto o coloca com 19% no cenário atualmente apresentado.
A eleição para o Senado possui uma característica que torna a disputa ainda mais difícil de projetar: cada eleitor poderá escolher dois candidatos.
Isso significa que a fotografia de agosto ainda está longe de representar necessariamente o resultado das urnas.
A própria movimentação das últimas semanas demonstra como o cenário pode mudar rapidamente. Miguel saiu da corrida, Mendonça entrou, Eduardo foi confirmado na chapa governista e novas alianças foram construídas em torno dos candidatos.
A principal notícia da pesquisa, portanto, não é apenas que Marília Arraes continua liderando.
É que a liderança deixou de ser tão confortável quanto era em maio.
A ex-deputada saiu de 49% para 30%, enquanto os candidatos que aparecem na sequência passaram a ocupar uma faixa mais competitiva. Humberto Costa permanece próximo, Mendonça Filho chegou a 19% e Eduardo da Fonte aparece com 17%.
A disputa, que anteriormente apresentava uma líder muito distante dos demais, agora tem um cenário mais pulverizado.
E há uma questão política central: quanto da queda de Marília representa uma mudança efetiva de preferência do eleitor e quanto pode estar relacionado à entrada de novos candidatos, à definição das chapas e à reorganização das alianças?
A resposta só poderá ser observada nas próximas rodadas.
Por enquanto, a DataTrends registra uma mudança inequívoca na fotografia: Marília Arraes perdeu 19 pontos, enquanto o tabuleiro do Senado pernambucano ganhou novos protagonistas e novas alianças.
O levantamento foi realizado entre os dias 12 e 14 de agosto e está registrado no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) sob o número PE-02774/2026. A pesquisa tem margem de erro de 2,83 pontos percentuais e grau de confiança de 95%.
Pesquisa DATATRENDS (MAIO)
A pesquisa do Instituto DataTrends para o Senado Federal em Pernambuco, divulgada em Maio foi registrado no Tribunal Superior Eleitoral sob os números PE-05320/2026 e BR-08337/2026.
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''O Brasil tornou-se, ao longo das últimas décadas, uma referência mundial na realização de eleições'', afirmou
Endividamento alcançou 81,9% do PIB em junho, enquanto projeções apontam continuidade da deterioração fiscal nos próximos anos.
O senador também atribuiu a dificuldade para conquistar o apoio de partidos do Centrão a uma suposta pressão exercida por autoridades em Brasília.
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