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Governo Lula mantém silêncio sobre Nobel da Paz concedido à opositora de Maduro

A opositora venezuelana María Corina Machado foi anunciada na sexta-feira, 10 de outubro, como vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2025.

Fernanda Diniz

14 de outubro de 2025 às 14:45   - Atualizado às 14:47

Lula e María Corina Machado.

Lula e María Corina Machado. Arte: Portal de Prefeitura

Quatro dias após o anúncio de que a venezuelana María Corina Machado recebeu o Prêmio Nobel da Paz, o governo brasileiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre o tema.

Nem o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem o Ministério das Relações Exteriores emitiram qualquer nota a respeito da escolha.

A decisão do comitê norueguês provocou ampla repercussão internacional. Machado, reconhecida por sua atuação como opositora ao regime de Nicolás Maduro, já recebeu um telefonema do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, além de manifestações de apoio de diversos líderes latino-americanos.

Conhecida por seu discurso firme contra o governo chavista, María Corina também já defendeu publicamente uma intervenção militar norte-americana para derrubar o regime de Maduro, o que a tornou uma figura polêmica no cenário político venezuelano. A mesma também está escondida em seu país, após as eleições de 2024. 

Enquanto o governo brasileiro mantém discrição sobre o assunto, nomes ligados à política nacional se manifestaram. O ex-presidente Michel Temer parabenizou publicamente a laureada. 

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Quem é María Corina Machado?

A opositora venezuelana María Corina Machado foi anunciada nesta sexta-feira, 10 de outubro, como vencedora do Prêmio Nobel da Paz 2025, em cerimônia em Oslo, na Noruega. O reconhecimento do Comitê Norueguês do Nobel ressalta sua trajetória de resistência pacífica diante do governo de Nicolás Maduro e seu trabalho em prol dos direitos humanos e da democracia na Venezuela.

Engenheira industrial e com formação em finanças, María Corina nasceu em 1967, em Caracas, e iniciou sua carreira no setor privado. Sua entrada na política ocorreu através do ativismo social: em 1992, fundou a Fundação Atenea, voltada ao cuidado e educação de crianças em situação de vulnerabilidade. Mais tarde, participou da criação da Súmate, organização dedicada à observação e fiscalização de eleições livres na Venezuela.

Eleita deputada da Assembleia Nacional em 2010 com votação recorde, foi destituída em 2014 pelo governo chavista. Desde então, lidera o partido Vente Venezuela e faz parte da aliança Soy Venezuela, reunindo grupos pró-democracia de diferentes correntes políticas.

Perseguição e resistência

Em 2023, María Corina conquistou as prévias da oposição e se tornou favorita para as eleições presidenciais de 2024, mas foi impedida de concorrer por decisão do Supremo Tribunal de Justiça, recebendo uma inabilitação política de 15 anos. Apesar das ameaças, perseguições e prisões de aliados, Machado manteve-se ativa, apoiando o candidato opositor Edmundo González Urrutia e continuando sua mobilização pelo país.

O Comitê do Nobel destacou que ela representa uma voz firme contra a repressão e uma liderança que mantém viva a esperança da população venezuelana. Michael Shifter, ex-presidente do Inter-American Dialogue, afirmou que Machado é “um símbolo de resistência e transformação para a Venezuela”.

Com o prêmio, María Corina Machado se consolida internacionalmente como referência na defesa da democracia e dos direitos humanos na América Latina.

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