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"Luz vermelha": ex-chefe da FAB diz que Brasil já não consegue proteger seu próprio território

Carlos de Almeida Baptista Júnior afirma que as Forças Armadas enfrentam deterioração estrutural, cobra reforma no comando militar.

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26 de julho de 2026 às 18:23   - Atualizado às 19:11

Presidente Lula e Autoridades da Segurança

Presidente Lula e Autoridades da Segurança Foto: Ricardo Stuckert/PR

As recentes declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em defesa do fortalecimento das Forças Armadas reacenderam um debate que já havia sido levantado meses antes pelo ex-comandante da Força Aérea Brasileira (FAB), tenente-brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Júnior. Em entrevista concedida ao jornal O Estado de S. Paulo (Estadão), em março deste ano, o militar fez um duro diagnóstico sobre a estrutura de defesa do país e afirmou que o Brasil perdeu capacidade de dissuasão militar, defendendo mudanças profundas no modelo de comando das Forças Armadas e um amplo plano de investimentos.

A entrevista voltou a ganhar repercussão após Lula afirmar, durante agenda oficial, que o Brasil precisa manter Forças Armadas equipadas e preparadas para garantir a soberania nacional.

"Nós queremos as Forças Armadas preparadas para não deixar ninguém meter o nariz no Brasil", declarou o presidente ao defender investimentos na área de defesa.

Embora as falas tenham contextos diferentes, ambas colocam a segurança nacional no centro do debate público em um momento marcado pelo aumento das tensões geopolíticas em diversas regiões do mundo.

Ex-chefe da FAB aponta deterioração da Defesa

Na entrevista publicada em março, Baptista Júnior afirmou que o Brasil entrou em uma situação de alerta na área de defesa. Segundo ele, décadas de restrições orçamentárias e falta de planejamento provocaram uma perda gradual da capacidade operacional das Forças Armadas.

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Na avaliação do ex-comandante da Aeronáutica, o país já não possui uma estrutura militar compatível com a dimensão de seu território, suas fronteiras terrestres, a chamada Amazônia Azul, o espaço aéreo e outros ativos considerados estratégicos.

O brigadeiro argumentou que o problema deixou de ser apenas financeiro e passou a representar uma questão de Estado, exigindo decisões estruturais para recuperar a capacidade de resposta das instituições militares.

Investimentos bilionários e reforma estrutural

Durante a entrevista, Baptista Júnior revelou que estudos apresentados ao governo estimam a necessidade de aproximadamente R$ 800 bilhões em investimentos até 2040 para recuperar capacidades consideradas essenciais.

Mesmo assim, ele ponderou que apenas ampliar o orçamento não resolveria os desafios enfrentados pelas Forças Armadas.

Segundo o militar, seria necessária uma profunda reforma no modelo de comando militar brasileiro, fortalecendo o Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas e ampliando a integração entre Marinha, Exército e Aeronáutica.

Para ele, a atual estrutura ainda preserva características que dificultam decisões estratégicas unificadas, comprometendo a eficiência operacional em situações de crise.

Mudanças no cenário internacional reforçam debate

Ao justificar sua avaliação, Baptista Júnior citou o cenário internacional como um fator que exige maior atenção por parte do Brasil.

O ex-comandante mencionou conflitos como a guerra entre Rússia e Ucrânia, as tensões no Oriente Médio e o aumento da competição entre grandes potências como exemplos de um ambiente geopolítico mais instável.

Segundo ele, enquanto diversas nações reforçam investimentos em defesa e modernização militar, o Brasil perdeu, ao longo dos anos, a percepção sobre riscos relacionados à sua própria segurança.

Essa análise ganha novo peso diante do posicionamento recente do presidente Lula. Ao defender o fortalecimento das Forças Armadas, o chefe do Executivo afirmou que investir em defesa não significa estimular conflitos, mas garantir que o país tenha condições de proteger sua soberania e seus interesses estratégicos.

Debate sobre o futuro das Forças Armadas

As declarações do presidente e do ex-comandante da FAB convergem em um ponto: a necessidade de discutir o futuro das Forças Armadas brasileiras diante das mudanças no cenário internacional.

Enquanto Lula defende investimentos para manter o país preparado para proteger seu território e sua soberania, Baptista Júnior sustenta que o Brasil já enfrenta uma perda significativa de capacidade de dissuasão e que apenas novos recursos financeiros não serão suficientes sem uma reforma institucional.

O debate, que havia ganhado força em março com a entrevista do ex-chefe da Aeronáutica, volta agora ao centro das discussões sobre segurança nacional, orçamento público e planejamento estratégico, temas que tendem a ocupar espaço cada vez maior na agenda política brasileira nos próximos anos.

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