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Lula assina decreto que reforça atuação de Janja dentro do Planalto

Mesmo sem exercer um cargo público, a primeira-dama já vinha participando de ações sociais, culturais e diplomáticas desde o início da atual gestão.

Fernanda Diniz

13 de outubro de 2025 às 14:09   - Atualizado às 14:09

Janja e Lula.

Janja e Lula. Foto: Reprodução/Redes sociais

Um decreto assinado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reforçou o papel da primeira-dama, Janja da Silva, dentro da estrutura administrativa da Presidência da República.

A norma, publicada em agosto, autoriza que o Gabinete Pessoal do presidente também preste apoio ao cônjuge no desempenho de ações consideradas de interesse público.

Com a mudança, setores responsáveis por organizar compromissos oficiais, elaborar discursos, cuidar do acervo presidencial e zelar pelos palácios e residências sob administração do Executivo passam a poder auxiliar formalmente a esposa do presidente.

O gabinete, chefiado por Marco Aurélio Santana Ribeiro, conta com 189 servidores e responde diretamente ao Palácio do Planalto.

A decisão foi assinada por Lula, pelo ministro da Casa Civil, Rui Costa, e pela ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck. Segundo o governo, o decreto tem como objetivo garantir transparência e segurança jurídica às atividades desempenhadas por Janja.

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Mesmo sem exercer um cargo público, a primeira-dama já vinha participando de ações sociais, culturais e diplomáticas desde o início da atual gestão.

Em abril deste ano, a Advocacia-Geral da União (AGU) havia publicado uma orientação reconhecendo essa atuação voluntária, desde que sem remuneração e com a devida prestação de contas.

Desaprovação de Janja 

A participação da primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, no governo federal tem enfrentado um crescimento expressivo de rejeição entre os eleitores que afirmam conhecê-la. Segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (3) pelo instituto PoderData, o índice de desaprovação à sua atuação passou de 50% para 61% entre março e setembro de 2025, um aumento de 11 pontos percentuais.

O levantamento ouviu 2.500 pessoas entre os dias 27 e 29 de setembro, em 178 municípios de todas as regiões do país, por meio de entrevistas telefônicas. A margem de erro é de 2 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.

De acordo com a pesquisa, apenas 23% dos entrevistados que dizem conhecer Janja aprovam sua atuação junto ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Outros 16% afirmaram não saber ou preferiram não opinar.

Crescimento da visibilidade

Apesar do aumento da desaprovação, os dados também revelam que a figura da primeira-dama se tornou mais conhecida nos últimos anos. Em setembro de 2022, 63% dos eleitores diziam conhecê-la de alguma forma. Atualmente, esse número subiu para 89%: 38% afirmam conhecê-la bem, enquanto 51% dizem saber quem ela é "de ouvir falar". Apenas 11% responderam que não conhecem Janja.

A pergunta feita pelo instituto aos entrevistados que a conhecem foi: "Você aprova ou desaprova a participação da primeira-dama no governo?"

Participação ativa e críticas

Mesmo sem ocupar um cargo oficial no governo, Janja tem tido participação ativa em eventos nacionais e internacionais. Recentemente, ela representou o Brasil como enviada especial para mulheres da COP-30, em Nova York. Na ocasião, chegou à cidade três dias antes do presidente Lula e participou de agendas próprias, além de acompanhá-lo em eventos como a abertura da Assembleia Geral da ONU.

A atuação constante ao lado do presidente tem rendido críticas à primeira-dama, principalmente em relação ao uso de recursos públicos e à sua exposição em agendas oficiais. Janja, por sua vez, já comentou publicamente sobre as críticas, afirmando que “não entrou na caixinha atribuída às primeiras-damas” e que, em alguns momentos, pensou em deixar o cargo informal por conta da pressão.

A desaprovação crescente ocorre em um cenário de desafios para o governo Lula junto a segmentos importantes do eleitorado, como evangélicos e moradores das regiões Sul e Sudeste. Janja tem desempenhado papel ativo em tentativas de aproximação com esses públicos, participando de eventos religiosos, encontros com mulheres periféricas e iniciativas de divulgação das políticas do governo.

 

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