Gestão João Campos concede área do Distrito Guararapes à iniciativa privada. Foto: Reprodução/TV Globo
A Prefeitura do Recife anunciou a concessão da área conhecida como Distrito Guararapes, localizada no bairro de Santo Antônio, para a iniciativa privada. As informações são do Marco Zero Conteúdo.
O projeto faz parte de uma Parceria Público-Privada (PPP) que promete reformar e administrar 14 prédios no coração da cidade pelos próximos 30 anos. A proposta integra o plano de requalificação do centro histórico e tem como meta estimular a moradia e o comércio na região.
O prefeito João Campos (PSB) afirmou que a ação busca revitalizar o centro e atrair novos moradores para o local, que há anos enfrenta problemas de abandono e perda populacional. Ao todo, serão 12 prédios destinados a moradias e dois imóveis de uso comercial. Entre eles, estão previstos uma cinemateca e um edifício garagem, que devem funcionar como equipamentos públicos e culturais.
De acordo com o Marco Zero Conteúdo, o projeto prevê a criação de 873 apartamentos, classificados como Habitação de Interesse Social (HIS). No entanto, o valor médio estimado das unidades, de R$ 310 mil, levantou críticas de movimentos de moradia. Para eles, o preço pode dificultar o acesso de famílias de baixa renda, justamente o público que deveria ser o principal beneficiado pelo programa.
Além do valor dos imóveis, o processo de participação pública também foi alvo de questionamentos. A audiência pública realizada sobre o edital ocorreu de forma exclusivamente online, com divulgação limitada e sem espaço para comentários ou perguntas.A metodologia adotada fere princípios de transparência e participação popular exigidos em projetos dessa natureza.
A PPP prevê investimentos públicos expressivos. Nos seis primeiros anos de contrato, a prefeitura deve aplicar R$ 76 milhões no Distrito Guararapes, além de R$ 234 milhões em contraprestações públicas ao longo das três décadas de concessão. O montante inclui valores destinados ao reembolso da concessionária pelos investimentos feitos em obras obrigatórias.
Entre os custos previstos, estão R$ 3,9 milhões para o edifício garagem e R$ 8,4 milhões para a cinemateca. Esses dois imóveis serão considerados bens reversíveis, ou seja, retornarão ao controle da prefeitura ao final do contrato. A empresa vencedora da licitação será responsável tanto pela venda das unidades residenciais quanto pela administração da área durante o período de concessão.
Em apresentações a arquitetos e urbanistas, o Gabinete do Centro do Recife informou que identificou 31 imóveis com necessidade de renovação no perímetro central. Desses, 14 integram a atual concessão. Os demais, segundo o órgão, devem passar por requalificação estimulada pela valorização do entorno e pelo interesse do mercado imobiliário.
Apesar da promessa de revitalização, o projeto ainda desperta dúvidas sobre o alcance social e o equilíbrio entre o investimento público e os benefícios privados. Enquanto o poder municipal reforça o discurso de modernização e eficiência, parte da sociedade civil cobra mais transparência e mecanismos que assegurem o real acesso das famílias populares à moradia no centro do Recife.
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