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Integrantes do governo Lula tiveram vistos revogados por conta do Mais Médicos, diz Rubio

O programa ficou muito associado a Cuba por ter aberto espaço para profissionais da saúde vindos do país caribenho, uma vez que muitos médicos brasileiros tinham resistência para trabalhar em cidades do interior.

Ricardo Lélis

13 de agosto de 2025 às 21:55   - Atualizado às 21:55

Presidente Lula em evento do programa Mais Médicos.

Presidente Lula em evento do programa Mais Médicos. Foto: Ricardo Stuckert/ PR

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, chefe da diplomacia do governo Donald Trump, revogou nesta quarta-feira, 13 de agosto, os vistos do secretário de Atenção Especializada à Saúde do Ministério da Saúde Mozart Júlio Tabosa Sales, e de Alberto Kleiman, um ex-funcionário do governo brasileiro.

Rubio cita, como razão para a medida, o programa "Mais Médicos", política pública criada no governo de Dilma Rousseff para suprir a carência de médicos nos municípios do interior e nas periferias das grandes cidades do Brasil.

Mozart é a primeira autoridade do governo Lula a ser punida com a perda de visto pelo governo Trump. Integrantes do governo temem que a medida possa ocorrer com outros, inclusive de alto escalão, por causa do embate político relacionado aos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro.

Até agora, apenas ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, bem como familiares, tiveram visto revogado.

Em resposta, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, publicou em sua rede social que o programa Mais Médicos resistirá a "ataques injustificáveis".

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"O Mais Médicos, assim como o Pix, sobreviverá aos ataques injustificáveis de quem quer que seja. O programa salva vidas e é aprovado por quem mais importa: a população brasileira. Não nos curvaremos a quem persegue as vacinas, os pesquisadores, a ciência e, agora, duas das pessoas fundamentais para o Mais Médicos na minha primeira gestão como Ministro da Saúde, Mozart Sales e Alberto Kleiman", escreveu Padilha no X.

Também via X, a embaixada dos EUA endossou a punição aos brasileiros, informando que o Departamento de Estado adotou "medidas para revogar e impor restrições de visto a vários funcionários do governo brasileiro e ex-funcionários da OPAS que foram cúmplices do esquema do regime cubano de exportação de trabalho forçado.

O programa Mais Médicos representou um golpe diplomático inadmissível de "missões médicas" estrangeiras", diz o perfil da embaixada dos EUA no Brasil.

Kleiman trabalhou na Presidência da República em governos do PT e no Ministério da Saúde. Atualmente é coordenador para COP-30 na Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA).

Antes, foi diretor de Relações Exteriores, Parcerias e Mobilização de Recursos na Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS), que atuava como parceira do Mais Médicos e intermediava a contratação dos médicos cubanos no Brasil.

O Itamaraty disse que ainda não vai se manifestar. O Ministério da Saúde foi procurado, mas ainda não se posicionou.

"O Departamento de Estado também está tomando medidas para revogar vistos e impor restrições de visto a vários funcionários do governo brasileiro e ex-funcionários da OPAS cúmplices do esquema de exportação de trabalho forçado do regime cubano. O Mais Médicos foi um golpe diplomático inconcebível de 'missões médicas' estrangeiras", publicou Rubio no X.

Antes de comentar sobre o Brasil, o secretário de Trump havia publicado que os Estados Unidos estão expandindo sua política de restrição de vistos para Cuba.

Afirmou que seu departamento tomou medidas para restringir a emissão de vistos a funcionários governamentais cubanos e "cúmplices de terceiros países, bem como a indivíduos responsáveis pelo programa exploratório de exportação de mão de obra cubana".

Os assuntos referentes a Cuba têm peso particular para Rubio. Apesar de ter nascido em Miami, na Flórida, em 1971, ele é filho de imigrantes cubanos que deixaram Cuba em busca do "sonho americano".

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) viajou a Washington nesta quarta para uma reunião com membros do governo Trump. Em suas redes sociais, ele publicou uma "nota à imprensa" sobre a sanção anunciada por Rubio.

"O anúncio feito hoje pelo secretário de Estado Marco Rubio, de origem cubana, de sanções contra financiadores da ditadura comunista cubana travestidos de programas governamentais reforça o compromisso da administração Trump em conter e punir regimes autoritários, como os de Cuba e os que Moraes e Lula tentam transformar o Brasil, para que não espalhem seu alcance pelo continente impunemente. A medida é também um recado inequívoco: nem ministros, nem burocratas dos escalões inferiores, nem seus familiares estão imunes. Mais cedo ou mais tarde, todos os que contribuírem para sustentar esses regimes responderão pelo que fizeram - e não haverá lugar para se esconder", escreveu.

Mais Médicos

O Mais Médicos ficou muito associado a Cuba por ter aberto espaço para profissionais da saúde vindos do país caribenho, uma vez que muitos médicos brasileiros tinham resistência para trabalhar em cidades do interior.

O governo federal diz que o programa busca resolver a questão emergencial do atendimento básico à população, e também cria condições para continuar a garantir um atendimento qualificado no futuro para aqueles que acessam cotidianamente o SUS.

"Além de estender o acesso, o programa provoca melhorias na qualidade e humaniza o atendimento, com médicos que criam vínculos com seus pacientes e com a comunidade", diz o site do governo.

O Mais Médicos passou por um esvaziamento com a eleição de Jair Bolsonaro (PL), crítico da presença cubana no Brasil.

Em novembro de 2018, o regime de Cuba anunciou o fim da parceria com o programa. Naquele momento, os cubanos representavam quase a metade dos 18 mil médicos inscritos.

Somente em 2023, sob o atual governo Lula, o projeto voltou a ganhar atenção e foi ampliado. Atualmente, apenas médicos contratados pelo programa a partir de 2018 estão entre os 26 mil profissionais vinculados ao Mais Médicos. Deste total, há 22 mil brasileiros e 2.661 cubanos, conforme dados do Ministério da Saúde.

Estadão Conteúdo

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