No documento, o governo paraguaio afirma que as declarações do presidente brasileiro deturpam acontecimentos considerados fundamentais para a memória histórica do país
Lula ao lado do presidente do Paraguai, Santiago Peña Foto: Ricardo Stuckert
O governo do Paraguai formalizou um protesto diplomático ao Brasil após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre a Guerra do Paraguai, também conhecida como Guerra da Tríplice Aliança.
A manifestação foi apresentada ao embaixador brasileiro em Assunção, José Marcondes, por meio de uma nota oficial entregue pelo vice-presidente paraguaio, Pedro Alliana, e pelo ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez Lezcano.
No documento, o governo paraguaio afirma que as declarações do presidente brasileiro deturpam acontecimentos considerados fundamentais para a memória histórica do país.
Além da manifestação de desagrado, as autoridades paraguaias sugeriram medidas voltadas à reconciliação entre as duas nações, incluindo a devolução de objetos históricos relacionados ao conflito do século XIX.
A controvérsia teve início após um discurso de Lula realizado na última sexta-feira, 24 de julho, em Jacareí, no interior de São Paulo.
Durante um evento voltado à área de defesa, o presidente defendeu investimentos no setor e mencionou a Guerra do Paraguai ao afirmar que o Brasil é uma nação pacífica, mas que não poderia esquecer o episódio em que, segundo ele, o Paraguai invadiu o território brasileiro, além de atacar o Uruguai e a Argentina. Lula também destacou que o conflito se estendeu por aproximadamente cinco anos.
Na reunião com o representante diplomático brasileiro, integrantes do governo do Paraguai reafirmaram que os dois países mantêm uma relação de amizade, mas defenderam que os fatos históricos sejam tratados com responsabilidade, respeito mútuo e espírito de reconciliação.
Entre as propostas apresentadas está a devolução dos canhões Presidente López e El Cristiano, além de outros troféus de guerra e documentos históricos levados ao Brasil após o conflito. Para Assunção, esses bens possuem elevado valor simbólico e fazem parte do patrimônio histórico nacional.
Em comunicado oficial, o Ministério das Relações Exteriores do Paraguai declarou "absoluto repúdio" às falas do presidente brasileiro e reiterou que episódios marcantes da história bilateral devem ser abordados de forma equilibrada, preservando a memória dos povos e fortalecendo as relações diplomáticas entre os dois países.
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Moraes havia solicitado que os dois casos fossem levados conjuntamente ao plenário, sob o argumento de que a análise separada poderia gerar decisões contraditórias e tumulto processual.
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