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Gilmar Mendes nega habeas corpus de prisão domiciliar a Bolsonaro

Moraes se declara impedido e envia caso ao decano do STF, que rejeita pedido de advogado não oficial por inadmissibilidade processual.

Joice Gomes

17 de janeiro de 2026 às 11:23

Ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Ministro Alexandre de Moraes, do STF. Foto: Gustavo Moreno/STF

O Supremo Tribunal Federal (STF) vive mais um capítulo na saga jurídica envolvendo o ex-presidente Jair Bolsonaro. Nesta sexta-feira (16), o ministro Gilmar Mendes negou um habeas corpus que pedia a conversão da prisão em regime domiciliar para o político, preso desde novembro de 2025.

O pedido chegou ao decano da Corte após o ministro Alexandre de Moraes se declarar impedido de analisá-lo. Moraes, que atua como presidente interino durante o recesso judiciário, apontou conflito regimental, já que é a autoridade coatora no processo.

A decisão de Gilmar Mendes destaca a inadmissibilidade da via eleita, reforçando regras processuais rigorosas do STF.

Moraes impede-se por questão regimental

Alexandre de Moraes justificou o encaminhamento ao afirmar que não poderia julgar urgências em casos nos quais figura como autoridade coatora. "Inviável a apreciação dos pedidos formulados por esta vice-presidência", escreveu o ministro em despacho.

O recesso do Judiciário, que vai até 31 de janeiro, deixa Moraes responsável por medidas urgentes, mas sem poder decidir sobre ações que o envolvam diretamente. Essa regra evitou um possível conflito de interesses no habeas corpus de Bolsonaro.

O habeas corpus foi impetrado pelo advogado Paulo Emendabili Souza Barros de Carvalhosa, que não integra a defesa oficial do ex-presidente. No pedido, solicitava-se prisão domiciliar e inspeção do Conselho Federal de Medicina sobre as condições carcerárias.

Pedido rejeitado por falta de legitimidade

Gilmar Mendes foi direto: o writ não foi apresentado pela defesa técnica de Bolsonaro, o que o torna inadmissível conforme o Regimento Interno do STF. "Não conheço do habeas corpus, por manifesta inadmissibilidade da via eleita", decidiu o ministro.

A negativa não entrou no mérito da saúde ou das condições de detenção do ex-presidente, preso inicialmente na Superintendência da PF em Brasília e transferido para a Papudinha. A família Bolsonaro tem alegado problemas médicos, incluindo uma queda recente, para justificar regimes mais brandos.

Essa não é a primeira tentativa. A defesa oficial já protocolou pedidos semelhantes, todos negados por Moraes, que mantém a custódia em regime fechado.

Contexto da prisão de Bolsonaro

Jair Bolsonaro cumpre pena desde 22 de novembro de 2025, por decisão de Moraes, ligada a investigações sobre suposta tentativa de golpe de Estado. A condenação, de 27 anos e três meses, motivou sucessivos recursos judiciais.

  • Transferência recente para a Papudinha, unidade prisional em Brasília.
  • Reunião de Michelle Bolsonaro com Gilmar Mendes, onde teria pleiteado domiciliar.
  • Múltiplos habeas corpus rejeitados nos últimos meses pelo STF.
  • Debates sobre saúde: cirurgias recentes e necessidade de atendimento multidisciplinar.

O caso alimenta discussões nos bastidores de Brasília. Aliados veem na redistribuição uma chance, mas a decisão rápida de Mendes sinaliza rigidez processual. Enquanto isso, Bolsonaro segue detido, e a defesa oficial pode preparar novas estratégias.

Implicações para o cenário político

A recusa reforça o controle do STF sobre casos sensíveis envolvendo ex-presidentes. Especialistas apontam que habeas corpus de terceiros raramente prosperam, priorizando a defesa técnica.

No recesso, decisões monocráticas como essa definem rumos urgentes. O retorno das atividades plenárias pode trazer novos ângulos ao processo de Bolsonaro.

O episódio destaca tensões entre Executivo passado e Judiciário, com olhos atentos para possíveis recursos. A prisão domiciliar segue distante, mas o histórico médico pode influenciar futuras análises.

Enquanto o STF navega por esses pedidos, o debate público sobre condições prisionais ganha força, questionando equilíbrio entre justiça e direitos humanos.

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