Belmiro Gomes afirma que consumidores estão trocando produtos por opções mais baratas e aponta crescimento das "bets" como fator inédito de impacto no varejo.
"Gastos com apostas esportivas estão afetando as vendas de alimentos", afirma presidente do Assaí Foto: Divulgação
O presidente da rede de atacarejo Assaí, Belmiro Gomes, afirmou nesta terça-feira (15) que o aumento nas apostas esportivas pode estar influenciando diretamente a queda na venda de alimentos. A declaração foi feita durante o evento anual da Abras (Associação Brasileira de Supermercados), e se baseia em pesquisas internas realizadas pela própria rede.
De acordo com Gomes, os dados revelam uma substituição no padrão de consumo, com clientes optando por marcas mais baratas, mas sem que isso esteja diretamente relacionado ao cenário macroeconômico. “Já enfrentamos momentos de juros e dólar altos sem ver esse tipo de mudança no comportamento de consumo”, destacou.
O executivo ressaltou que os indicadores tradicionais que costumam influenciar as vendas do setor — como desemprego, renda e endividamento — não justificam a mudança observada. “O desemprego está caindo, a renda subiu e o endividamento também melhorou. Então há algo novo acontecendo. E o que estamos percebendo é um crescimento acelerado nos gastos com apostas, principalmente as chamadas 'bets'”, explicou.
O setor de apostas esportivas tem ganhado força no Brasil nos últimos anos, impulsionado pela popularização de plataformas digitais e campanhas publicitárias com celebridades e influenciadores. Segundo especialistas, o fenômeno ainda está sendo estudado para entender os impactos reais no consumo das famílias.
Para Belmiro, o tema merece atenção por parte do setor varejista e também de órgãos reguladores, uma vez que está começando a influenciar decisões de compra no dia a dia dos brasileiros. Ele frisou que ainda é cedo para mensurar o impacto total, mas que a tendência já preocupa.
A fala do presidente do Assaí levanta um alerta inédito para o setor: o crescimento das apostas esportivas pode estar, aos poucos, tomando espaço no orçamento que antes era destinado a itens essenciais, como os alimentos.
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