As declarações de Garnier vão na contramão do que foi denunciado pela PGR, que apontou que a Marinha tinha sido o único integrante das Forças Armadas a aderir ao suposto plano golpista
Ex-comandante da Marinha, Almir Garnier, e o então presidente Jair Bolsonaro. Foto: Reprodução
O ex-comandante da Marinha, Almirante Almir Garnier, negou - durante depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) -, que tenha colocado suas tropas à disposição do então presidente Jair Bolsonaro (PL) para executar uma eventual tentativa de golpe em 2022.
"Isso não ocorreu. Não houve deliberações. O presidente não abriu a palavra a nós. Ele fez as considerações dele, expressou o que mais pareciam preocupações e análises de possibilidade do que propriamente uma ideia ou uma intenção de conduzir alguma coisa em uma certa direção. A única que eu percebi, que era tangível e importante, era a preocupação com a segurança pública, para a qual a GLO é o instrumento adequado dentro de certos parâmetros", declarou o militar.
"Eu me atenho às minhas funções e responsabilidades. Às vezes, lendo alguns desses depoimentos, tenho certa dúvida de procedimentos. O senhor sabe que estamos tratando de militares. A Marinha é extremamente hierarquizada. Não vejo espaço, o Estatuto dos Militares diz que ao subordinado é dado o direito de receber por escrito uma ordem que ele receba e considere flagrantemente ilegal. Até que isso aconteça, ilações, discussões, ouvi coisas como 'conversa de bar'. Eu era comandante da Marinha, não era assessor político do presidente. Eu me ative ao meu papel institucional", completou.
Confira o vídeo:
As declarações de Garnier vão na contramão do que foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que apontou que o ex-comandante da Marinha tinha sido o único integrante das Forças Armadas a aderir ao suposto plano de golpe.
Além da PGR, o ex-comandante da Aeronáutica, Baptista Júnior, também falou sobre a adesão de Garnier que, segundo ele, teria colocado as tropas à disposição de Bolsonaro.
Oitivas
O Supremo Tribunal Federal (STF) deu início na segunda-feira, 9 de junho, aos interrogatórios dos réus do chamado “núcleo 1” ou “núcleo crucial” da Ação Penal (AP) 2668 , que apura tentativa de golpe de Estado.
Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o grupo teve papel central na tentativa de ruptura institucional. A denúncia foi aceita pelo STF em março. Os Réus responderam por tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, tentativa de golpe de Estado, participação em organização armada criminosa, dano qualificado e liberdade de patrimônio ao embaçado.
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A Justiça também determinou medidas para bloquear o patrimônio dos suspeitos, como o sequestro de bens e restrições à atuação de empresas ligadas ao grupo.
Recém-empossado presidente estadual do Solidariedade, Edinazio comparou as negociações com o futebol, como a busca por "bons jogadores" (candidatos).
A base para os indiciamentos dessas autoridades é o caso do Banco Master, que tramita no Supremo. O relatório da CPI, de 221 páginas, ainda precisa ser aprovado pela comissão.
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