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Galípolo aponta nova alta de juros na próxima semana para atingir meta da inflação

Em março, o Copom elevou a taxa Selic para 14,25%, patamar semelhante ao observado durante o governo Dilma Rousseff, entre 2015 e 2016.

Gabriel Alves

29 de abril de 2025 às 18:48   - Atualizado às 19:15

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central.

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Foto: Roque de Sá/Agência Senado

O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou nesta terça-feira, 29 de abril, que o Comitê de Política Monetária (Copom) mantém a indicação de um novo aumento da taxa básica de juros na reunião marcada para maio. A declaração ocorreu durante uma entrevista coletiva sobre o Relatório de Estabilidade Financeira (REF) do segundo semestre de 2024.

"Na visão do BC e todos diretores, a comunicação anterior [de março] passou muito bem para esses 40 dias e segue vigente. Estamos respondendo a uma dinâmica de inflação desafiadora, o que justifica a extensão do ciclo [de alta dos juros]", explicou Galípolo.

Ele reforçou:

"A intenção foi dizer que está valendo tudo o que foi colocado na comunicação anterior. Vamos colocar a taxa de juros no patamar que for restritivo o suficiente e no patamar necessário para cumprir a meta [de inflação]".

Em março, o Copom elevou a taxa Selic para 14,25%, patamar semelhante ao observado durante o governo Dilma Rousseff, entre 2015 e 2016. Na ocasião, o colegiado também sinalizou um novo reajuste em maio, porém de menor intensidade, abaixo de um ponto percentual.

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Segundo o Banco Central, uma desaceleração da atividade econômica é fundamental para controlar a inflação e reconduzi-la ao centro da meta. No relatório de política monetária divulgado em março, a instituição destacou que o "hiato do produto" segue positivo, ou seja, a economia ainda opera acima do seu potencial sem gerar, até agora, pressão desinflacionária significativa.

Durante esta semana, Galípolo avaliou que os primeiros sinais de desaceleração econômica ainda são incipientes, o que exige atenção redobrada ao comportamento dos preços.

BC mira inflação futura

A taxa Selic funciona como o principal instrumento do Banco Central para conter a inflação, especialmente os impactos sobre a população de menor renda. Para definir a taxa, o BC utiliza o sistema de metas de inflação. Quando as projeções estão alinhadas à meta, o comitê pode reduzir os juros. Já em cenários de inflação acima da meta, a tendência é manter ou elevar a Selic.

Desde o início de 2025, o país passou a adotar o sistema de meta contínua, com um objetivo central de 3%. O BC considera a meta cumprida se a inflação ficar entre 1,5% e 4,5%.

Ao tomar suas decisões, o Banco Central observa as projeções futuras de inflação, e não os índices mais recentes. Isso ocorre porque os efeitos da Selic demoram de seis a 18 meses para se refletirem totalmente na economia. No momento, por exemplo, a autoridade monetária já projeta o cenário de inflação para o segundo semestre de 2026.

As expectativas do mercado indicam inflação de 5,55% para 2025 (acima do teto da meta), 4,51% para 2026, 4% para 2027 e 3,78% para 2028. Todos os números seguem acima da meta central de 3% buscada pelo BC.

O próprio Banco Central admitiu recentemente que o país pode ultrapassar a meta novamente em junho de 2025, ao registrar seis meses consecutivos com inflação acima do teto de 4,5%.

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