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Falta de encontro entre Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira em El Salvador expõe racha na direita

O deputado federal se manifestou recentemente nas redes sociais, acusando o colega de sigla de articular um distanciamento do ex-presidente Bolsonaro.

Fernanda Diniz

19 de novembro de 2025 às 15:00   - Atualizado às 15:00

Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira.

Eduardo Bolsonaro e Nikolas Ferreira. Foto: Reprodução/Redes sociais

El Salvador tem se tornado ponto de encontro de figuras da direita global, incluindo diversos nomes do Brasil, que marcaram presença em agendas no país da América Central.

A projeção internacional de El Salvador cresceu após Nayib Bukele ser eleito e reeleito presidente em 2024, com 90% dos votos. Desde que assumiu o cargo, Bukele implementou uma série de intervenções voltadas à segurança pública.

O país vive sob estado de exceção desde 2022, o que resultou na prisão de mais de 70 mil pessoas suspeitas de integrarem gangues.

Segundo o governo salvadorenho, essas ações fizeram o país deixar de ser o mais violento do mundo para se tornar o mais seguro do hemisfério ocidental, atraindo a atenção de lideranças conservadoras de outros países.

Nos últimos dias, líderes da direita brasileira passaram a cumprir agenda no país. Entre eles estão os deputados federais Eduardo Bolsonaro (PL-SP), Paulo Bilynskyj (PL-SP) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Eles chegaram ao país em uma espécie de comitiva e participaram de reunião com o ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador, Gustavo Villatoro.

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O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) também está em El Salvador, onde visitou presídios de segurança máxima e divulgou a visita em suas redes sociais.

Ausência de encontro entre Nikolas e Eduardo chama atenção

Apesar de estarem no mesmo país e cumprirem agendas relacionadas ao modelo de segurança salvadorenho, não houve, até o momento, encontro entre Nikolas Ferreira e Eduardo Bolsonaro.

O fato chama atenção porque os dois sempre foram considerados aliados próximos e costumavam aparecer juntos com frequência. A ausência de proximidade nesta viagem gerou especulações sobre um possível distanciamento político entre eles.

A situação ganha relevância diante do contexto recente. Eduardo Bolsonaro está nos Estados Unidos desde o início do ano, quando buscou apoio junto ao governo Trump para auxiliar Jair Bolsonaro em processos no STF. Nikolas Ferreira segue no Brasil, defendendo a pauta da anistia ao lado de outros aliados da direita.

A viagem a El Salvador destacou a ausência de encontros ou diálogos públicos entre Nikolas Ferreira e Eduardo Bolsonaro, algo incomum entre dois dos principais nomes do conservadorismo no país.

Eduardo acusa Nikolas 

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) usou as redes sociais nesta sexta-feira, 7, para compartilhar uma publicação em que acusa o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e a deputada Ana Campagnolo (PL-SC) de articularem, junto a outros parlamentares mais jovens, uma tentativa de "se livrar de Bolsonaro".

"A briga na direita que todos estão vendo é simples. Nikolas quer se livrar do Bolsonaro de vez. Ele está liderando uma dissidência, e vários políticos mais jovens estão com ele. O problema? O de sempre: 'temos que nos descolar do Bozo sem perder o eleitor'. Eles querem continuar sendo eleitos pelos bolsonaristas, mas não querem mais prestar contas ao Bolsonaro. Provavelmente, a Ana e ele combinaram isso em relação à vaga do Carlos. E tem dado certo, viu", diz a mensagem do perfil MafinhaBarba compartilhada por Eduardo.

No conteúdo compartilhado pelo parlamentar, Mafinha elogia Eduardo.

"Falta o lado do Eduardo Bolsonaro e do Paulo Figueiredo, que é o lado certo e justo dessa guerra civil da direita. Eles estão lutando contra o verdadeiro mal e defendendo os inocentes. É muito simples saber de que lado ficar: veja o lado que abre mão voluntariamente de seus privilégios".

E, continua: "Só quem faz isso o faz por um ideal maior. O ganancioso por poder não consegue abandonar privilégios porque só quer mais privilégios - não há um senso transcendente de missão a cumprir. E quem fez isso foi Eduardo Bolsonaro".

Esta não é a primeira vez que Eduardo critica publicamente Nikolas Ferreira. Em julho, o deputado afirmou que era "triste ver a que ponto o Nikolas chegou".

Além disso, no relatório da Polícia Federal (PF) que serviu de base para o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e do próprio Eduardo, o parlamentar também teria feito críticas a Nikolas.

Nas mensagens trocadas via WhatsApp, Eduardo compartilha dois links que, segundo a PF, contêm críticas ao deputado mineiro.

"Divulgar a manifestação na Avenida Paulista, zero. Divulgar palestra em Curitiba, vale até repostar o Silvio Grimaldo. Jair Bolsonaro está em BH, já já veremos na prática a arte de 'colar no Bozo' pra depois 'descolar do Bozo'", diz uma das mensagens enviadas por Eduardo a Bolsonaro.

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