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"Proibir 'todes' é fácil; difícil é garantir emprego, saúde, proteção e dignidade", diz Bezerra Jr

"Se existe força para regulamentar vocabulário, precisa existir força para enfrentar a violência e isso não se faz com decreto, mas com política pública real."

Portal de Prefeitura

19 de novembro de 2025 às 14:46   - Atualizado às 14:55

Carlos Bezerra Junior e Lula

Carlos Bezerra Junior e Lula Foto Montagem/Portal de Prefeitura

A sanção da lei que proíbe o uso de linguagem neutra nas comunicações oficiais reacendeu polarizações previsíveis nas redes, mas para o ex-deputado Carlos Bezerra Junior, o governo e parte da sociedade estão mirando no alvo errado. Em pronunciamento divulgado nesta terça-feira (18), o parlamentar acusou o debate público de se perder em símbolos enquanto problemas urgentes continuam sem resposta.

Bezerra reconhece que a medida segue a lógica da comunicação estatal que exige clareza, padronização e compreensão ampla, mas critica o foco desproporcional dado ao tema. Para ele, a disputa em torno de palavras como “todes” e “elu” se transformou em um teatro ideológico, útil para gerar engajamento nas redes, mas irrelevante para a vida real de quem mais precisa do Estado.

“Proibir palavras é simples. Difícil é proteger pessoas”, afirma o ex-deputado, em referência direta ao aumento da violência contra pessoas trans e outras populações vulneráveis. Segundo ele, o governo demonstra força para legislar sobre símbolos, mas fraqueza para enfrentar o que realmente ameaça vidas como assassinatos, falta de acesso a políticas sociais, evasão escolar e desemprego estrutural.

Bezerra também aponta para a contradição central do tema: a linguagem neutra nasceu de uma tentativa de inclusão, mas acabou gerando rejeição e se transformando em munição política. Em seu entendimento, o Estado não pode adotar códigos linguísticos restritos a grupos específicos, mas tampouco pode se limitar a gestos superficiais enquanto falha nas garantias básicas de dignidade.

“Falar ‘todes’ não reduziu violência. Trocar letras não garantiu direitos”, argumenta.

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Para o parlamentar, tanto governo quanto opositores se acomodaram no debate raso. Enquanto um lado transforma a linguagem neutra em ameaça civilizatória, o outro insiste em um instrumento que, segundo ele, “não funcionou e ainda virou motivo de hostilidade”. O resultado, diz, é um país discutindo sílabas enquanto ignora estatísticas alarmantes e vidas destruídas pela intolerância.

Bezerra conclui com um recado direto ao governo:

“Se existe força para regulamentar vocabulário, precisa existir força para enfrentar a violência e isso não se faz com decreto, mas com política pública real.”

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

 

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