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Facções criminosas expulsam moradores em 49 bairros do Ceará

Relatório da SSPDS aponta 219 eventos entre janeiro de 2024 e setembro de 2025; bairros Ancuri e José Walter são os mais afetados.

Portal de Prefeitura

02 de novembro de 2025 às 11:25

Facções Criminosas do Ceará

Facções Criminosas do Ceará Foto: Divulgação/Rede Social

Entre 1º de janeiro de 2024 e 30 de setembro de 2025, facções criminosas promoveram 219 episódios de deslocamento forçado de moradores no Ceará, conforme revela o Relatório Técnico nº24/2025/DRCO/PCCE divulgado pela Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS) do Estado. A publicação marca a primeira vez que dados oficiais identificam essa prática de expulsão de moradores por grupos armados.

A maioria dos casos está concentrada em Fortaleza e na Região Metropolitana, mas não se restringe à capital. O documento aponta que, na cidade, foram contabilizados 143 desses eventos envolvendo 49 bairros. Os bairros Ancuri e José Walter lideram o registro, com 16 ocorrências cada. Municípios do interior, como Quixadá e Sobral, também figuram no relatório, o que evidencia a amplitude do fenômeno de deslocamento forçado de moradores no estado.

Esse tipo de expulsão, segundo especialistas, representa uma nova modalidade de controle territorial por facções: “O deslocamento forçado de moradores virou parte do modus operandi das organizações criminosas nas periferias de Fortaleza”, aponta estudo da Universidade Federal do Ceará (UFC). As consequências vão além da perda do lar: famílias relatam abandono de casas às pressas, interrupção de rotinas de trabalho e estudo, além de trauma psicológico pela expulsão e pela convivência com o medo constante.

A divulgação do relatório pela SSPDS traz à luz uma face ainda mais grave da violência urbana: o uso de expulsões como instrumento de dominação. Segundo o levantamento, muitas residências eram tomadas ou deixadas com pertences, e famílias se deslocavam em meio ao silêncio e à insegurança. O relatório confirma que o fenômeno se multiplicou pela cidade e interior, atingindo 49 bairros e refletindo o aumento da estratégia de controle social das facções por expulsão.

Para as autoridades, os dados representam um ponto de partida importante para elaborar políticas públicas. A SSPDS afirma que utilizará as informações para intensificar o mapeamento das ações das facções e fortalecer a proteção às vítimas de deslocamento forçado de moradores. A iniciativa também visa articular atendimento às famílias expulsas, que muitas vezes ficam sem lugar para morar ou sem amparo institucional após deixar suas casas.

Se por um lado o relatório revela a gravidade da crise, por outro abre caminho para que o Estado e a sociedade enfrentem o problema com base em dados concretos. O desafio agora é transformar a visibilidade desse fenômeno em mecanismos eficazes de prevenção, assistência e recuperação das famílias que foram esvaziadas de suas casas e comunidades.

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