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'Enquanto eu for presidente, não haverá privatização dos Correios', diz Lula

Ele afirmou não ter interesse em ter uma estatal deficitária, mas que, no máximo, poderia discutir parcerias com a iniciativa privada ou transformação em companhia de economia mista.

Cami Cardoso

18 de dezembro de 2025 às 13:10   - Atualizado às 14:05

Correios em crise podem receber aporte do Tesouro.

Correios em crise podem receber aporte do Tesouro. Foto 1: Ricardo Stuckert/PR Foto 2: Joédson Alves/Agência Brasil

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quinta-feira, 18, que, enquanto for presidente, não irá privatizar os Correios.

Ele afirmou não ter interesse em ter uma estatal deficitária, mas que, no máximo, poderia discutir parcerias com a iniciativa privada ou transformação em companhia de economia mista. As declarações ocorreram durante uma conversa com jornalistas no Palácio do Planalto, em Brasília

"Eu não tenho interesse em ter uma empresa estatal dando prejuízo. Até porque não acho que o povo brasileiro, que não tem nada a ver com aquela estatal, tem que ficar pagando prejuízo", disse.

E completou: "Enquanto eu for presidente não tem privatização. O que pode ter é construção de parceria com empresas. Eu sei que tem empresas italianas querendo vir aqui discutir com os correios".

Os Correios acumulam prejuízo de R$ 6,05 bilhões de janeiro a setembro deste ano e a empresa busca recursos para conseguir reequilibrar as contas. Desde 2022, o prejuízo da estatal chega a R$ 10 bilhões.

Lula afirmou que lamenta profundamente a crise nos Correios e que, por isso, mudou a gestão da empresa. Afirmou que vai fazer qualquer mudança necessária para melhorar a estatal, até fechar agências, por exemplo.

"Nós não podemos ter uma empresa pública, por mais importante que ela seja, dando prejuízo. Eu sempre digo que uma empresa pública não precisa ser a rainha do lucro, mas ela não pode ser a rainha do prejuízo. Ela tem que se equilibrar", afirmou.

E continuou: "Nós vamos tomar as medidas que tiver que tomar, mudar todos os cargos que tiver que mudar, e a pessoa que está lá vai indicar as pessoas que tiverem competência para girar os Correios".

O presidente declarou ainda que a ministra da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, Esther Dweck, já sabe que tem a missão de entregar os Correios recuperados e que há tempo para isso.

Segundo ele, a estatal reclamou da taxa das blusinhas, que isso teria custado R$ 1 bilhão à companhia, mas que o problema era gestão equivocada. Ele afirmou ainda que os Correios poderiam fazer parcerias com outras empresas ou se tornar de economia mista, mas descartou privatizações.

No início do mês, o Tesouro Nacional reprovou um empréstimo de R$ 20 bilhões, valor inicialmente pleiteado pela estatal, depois que cinco bancos cobraram juros de 136% do CDI na operação. O órgão entendeu que os juros teriam de ficar dentro do teto de 120% do CDI estabelecido pelo Comitê de Garantias do Tesouro.

Na última terça-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, disse que os Correios já enviaram uma nova proposta de empréstimo ao governo. A estatal busca um empréstimo com garantia da União para conseguir se reestruturar e voltar a registrar lucro em 2027, conforme meta estipulada pelo novo presidente, Emmanoel Schmidt Rondon.

Segundo apurou o Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, Caixa, Banco do Brasil, Bradesco, Itaú e Santander devem participar do negócio. Questionado sobre se o empréstimo será no valor de R$ 12 bilhões como tem circulado, Haddad respondeu: "Pode chegar a isso".

Estadão Conteúdo.

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