Aldo Rebelo atuou no Partido Comunista do Brasil por 24 anos e foi grande aliado do PT e Joaquim Barbosa esteve na Corte por mais de 10 anos.
18 de maio de 2026 às 11:18 - Atualizado às 11:30
Joaquim Barbosa e Aldo Rebelo. Fotos: José Cruz/ Agência Brasil e Valter Campanato/Agência Brasil. Montagem: Portal de Prefeitura
O partido Democracia Cristã (DC) anunciou uma mudança em sua pré-candidatura para a Presidência da República. O ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, passou a ser o nome escolhido pela legenda para disputar o cargo, substituindo o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo, ex-filiado do Partido Comunista do Brasil (PCdoB).
A confirmação foi feita pelo presidente nacional do DC, o ex-deputado João Caldas, que afirmou que a decisão foi tomada após uma avaliação interna conduzida pelo partido. Segundo ele, a alteração ocorreu com base na análise do desempenho político de Aldo Rebelo durante o período estabelecido para testar a viabilidade de sua pré-candidatura.
De acordo com João Caldas, havia um entendimento prévio entre o partido e Aldo Rebelo para que, durante três meses, fossem observadas as condições para consolidar a candidatura presidencial. Caso não houvesse viabilidade política suficiente, a legenda teria liberdade para rediscutir a estratégia eleitoral.
Segundo o dirigente partidário, esse cenário acabou se confirmando diante da falta de desempenho de Aldo nas pesquisas. Ele destacou que o ex-ministro da Defesa não conseguiu alcançar os resultados esperados durante o período de exposição política previsto no acordo firmado com a sigla.
João Caldas afirmou que a definição já foi consolidada e classificou Joaquim Barbosa como o nome capaz de representar o projeto político da legenda para a disputa nacional. O presidente do partido destacou que a pré-candidatura do ex-ministro do Supremo está oficialmente colocada.
A mudança, no entanto, provocou reação de Aldo Rebelo. Neste sábado, 16, o ex-ministro da Defesa divulgou uma nota em sua conta no Instagram na qual afirmou que sua pré-candidatura permanece mantida. No texto, ele criticou a decisão do partido e afirmou que a indicação de Joaquim Barbosa contraria princípios que defende, como a transparência e o respeito às decisões democráticas dentro das relações políticas.
"Ele não pode reclamar do partido. O partido é uma instituição e tem que olhar para o Brasil, tem que ter responsabilidade. Está claro que o povo já disse não para ele para presidente", disse.
Apesar do posicionamento público de Aldo Rebelo, João Caldas reforçou que a decisão tomada pela direção do Democracia Cristã é definitiva. Segundo ele, o partido precisa agir com responsabilidade institucional e tomar decisões baseadas em critérios políticos e eleitorais.
O presidente do DC também afirmou que o partido mantém respeito pela trajetória política de Aldo Rebelo, mas ponderou que a legenda precisa considerar o cenário eleitoral e a receptividade demonstrada nas pesquisas.
Ainda de acordo com João Caldas, Aldo Rebelo poderá contar com o apoio do Democracia Cristã caso deseje disputar outros cargos eletivos. Entre as possibilidades mencionadas estão candidaturas ao Senado, à Câmara dos Deputados ou a governos estaduais.
Joaquim Barbosa foi ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) entre 2003 e 2014, período em que foi indicado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Durante sua atuação na Corte, ele também chegou a ocupar a presidência do STF, tornando-se o primeiro homem negro a assumir o cargo na história do tribunal.
Ao longo de sua trajetória no Supremo, Joaquim Barbosa ganhou grande visibilidade nacional especialmente por sua atuação como relator da Ação Penal 470, conhecida como processo do mensalão, um dos julgamentos mais importantes e de maior repercussão da história recente do Judiciário brasileiro.
No exercício da magistratura, ficou conhecido por adotar uma postura considerada firme e por apresentar posicionamentos independentes em relação a diferentes temas analisados pela Corte.
Ele se aposentou do STF em 2014, encerrando sua carreira como ministro, mas permanecendo como uma figura de destaque no cenário jurídico e político do país.
Durante esse processo, Joaquim Barbosa se filiou ao Democracia Cristã, movimento que alterou o cenário interno da legenda. A chegada do ex-ministro do STF abriu uma nova possibilidade para a construção da candidatura presidencial, levando o partido a optar pela mudança.
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