Eduardo Moura e Hospital da Criança do Recife. Foto: Portal de Prefeitura
Em discurso na tribuna da Câmara, nesta segunda-feira (13), o vereador Eduardo Moura (Novo) revelou aos demais parlamentares que o Hospital da Criança do Recife está registrado como “ambulatório” no Cadastro Nacional dos Estabelecimentos de Saúde (CNES) e não realiza atendimento de urgência e emergência.
A declaração foi feita durante pronunciamento em que o parlamentar repercutiu a morte do menino Benjamin Leite Costa, de 8 anos.
“Eu estou nessa tribuna para deixar uma coisa muito clara: o ‘hospital’ da criança está registrado como ambulatório. O Hospital da Criança não atende urgência e emergência”, declarou.
Benjamin morreu na terça-feira (7), no Hospital Geral de Areias, após complicações causadas por meningite. Segundo o relato do pai, Adjair Pereira Costa, a criança apresentou sintomas iniciais ainda na sexta-feira e passou por atendimentos em unidades de saúde sem realização de exames.
Na segunda-feira (6), com o agravamento do quadro, a família decidiu procurar o Hospital da Criança, localizado a cerca de 200 metros da residência. Ao chegar ao local, no entanto, o acesso foi negado.
“Chegando no Hospital da Criança, esse pai foi barrado no portão do carro, porque a orientação dada para os vigilantes era de que o hospital não atende urgência e emergência. Esse pai pediu para pelo menos um médico ver o filho dele, porque o filho dele estava morrendo. Foi barrado no portão do carro, nem entrou”, afirmou o vereador.
Sem atendimento, a criança foi levada ao Hospital Geral de Areias, onde exames apontaram meningite bacteriana. O tratamento foi iniciado, mas o quadro já estava avançado.
“Começam o tratamento com antibiótico, mas não dava mais tempo. O menino que passou uma semana tentando ser atendido morreu”, disse. O parlamentar destacou que a decisão da família de buscar o hospital municipal foi motivada pela expectativa criada em torno do equipamento.
“Quando ele lembrou que existia um hospital para criança, ele correu porque achava que o filho dele ia ser atendido”, afirmou.
Após tomar conhecimento do caso, Eduardo Moura realizou fiscalização na unidade e voltou a criticar as condições de funcionamento.
“O Hospital da Criança foi inaugurado como uma farsa. Não está pronto. Ainda não tem elevador instalado, tem sala que não tem nada instalado, tem um monte de construção acontecendo enquanto está tendo atendimento, falta equipamento e não foi feita a limpeza nem de obra e nem hospitalar”, declarou.
O vereador informou que encaminhou o caso aos órgãos de controle, como vigilâncias sanitárias municipal e estadual, Conselho Municipal de Saúde, Departamento Nacional de Auditoria do SUS (Denasus) e Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e Ministério Público Federal (MPF).
“Uma criança de oito anos morreu. Ele confiou que aquele hospital ia atender urgência e emergência. Nós podemos mudar isso. Vamos fazer aquela estrutura que é boa ter emergência e urgência”, concluiu.
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