Valdemiro Santiago declara apoio a Eduardo Cunha Foto: Reprodução
Eduardo Cunha oficializou uma aliança política com o apóstolo Valdemiro Santiago, fundador e líder da Igreja Mundial do Poder de Deus, em meio à preparação para as eleições de 2026. (veja vídeo abaixo).
O ex-presidente da Câmara dos Deputados pretende disputar uma vaga de deputado federal por Minas Gerais e passou a contar publicamente com o apoio da liderança religiosa.
A declaração de apoio foi divulgada nos canais de campanha de Cunha. Nas gravações, pastores ligados à igreja apresentam o ex-parlamentar aos fiéis como um possível representante da instituição e da chamada “obra de Deus” no Congresso Nacional.
A aproximação ocorre enquanto Cunha tenta reconstruir sua trajetória eleitoral em um novo território. Com uma carreira política construída principalmente no Rio de Janeiro, o ex-deputado transferiu seu domicílio eleitoral para Minas Gerais após experiências anteriores em outras disputas.
A candidatura por Minas Gerais representa uma mudança significativa na estratégia política de Eduardo Cunha. O ex-presidente da Câmara, que teve forte atuação política no Rio de Janeiro, busca agora estabelecer uma nova relação com eleitores e lideranças mineiras.
Em uma das manifestações divulgadas durante a campanha, Cunha agradeceu o respaldo recebido e destacou sua própria trajetória política.
Se quem conhece minha trajetória está ao meu lado, eu só tenho a agradecer. Minas Gerais conhece meu trabalho e sabe da minha história. Agora, conto com você”, afirmou o ex-parlamentar.
A declaração reforça a tentativa de apresentar ao eleitorado mineiro uma trajetória política construída ao longo de décadas. A participação de lideranças religiosas na campanha também amplia o alcance da candidatura entre segmentos ligados à Igreja Mundial.
O apoio, porém, ocorre paralelamente a uma questão jurídica que pode influenciar o futuro eleitoral do candidato.
veja:
O registro da candidatura de Eduardo Cunha é alvo de contestação na Justiça Eleitoral. O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou pedido de impugnação, alegando que o ex-presidente da Câmara estaria impedido de disputar a eleição em razão de uma condenação anterior por improbidade administrativa.
A análise sobre a possibilidade de candidatura cabe à Justiça Eleitoral. Até que haja uma decisão definitiva, a situação jurídica de Cunha permanece sob avaliação dos órgãos competentes.
O episódio acrescenta um componente jurídico à disputa eleitoral e poderá determinar os próximos passos da campanha do ex-deputado em Minas Gerais.
A aproximação entre Eduardo Cunha e Valdemiro Santiago também acontece em um período de dificuldades financeiras enfrentadas pela Igreja Mundial do Poder de Deus.
A instituição acumula passivos e responde a processos de execução relacionados a dívidas com a União e credores privados. Em ações judiciais, credores chegaram a solicitar medidas para alcançar bens pessoais de Valdemiro Santiago como forma de garantir o pagamento de débitos atribuídos à igreja.
A defesa do religioso contesta esse tipo de medida e sustenta que não existe confusão entre o patrimônio pessoal de Valdemiro e os bens pertencentes à instituição religiosa.
A situação financeira da igreja, portanto, permanece como um dos elementos que cercam a atuação pública de seu principal líder.
A participação de lideranças religiosas na política brasileira não é um fenômeno recente, mas ganhou relevância nas últimas eleições, especialmente em disputas para o Congresso Nacional. Igrejas e seus líderes frequentemente manifestam preferências eleitorais e mobilizam comunidades em torno de candidatos.
No caso de Eduardo Cunha, o apoio de Valdemiro Santiago representa uma tentativa de fortalecer sua presença política em Minas Gerais e ampliar sua rede de alianças antes da eleição de 2026.
A definição do cenário, entretanto, dependerá tanto da evolução da campanha quanto da situação jurídica do candidato. Enquanto busca consolidar uma nova base eleitoral, Cunha terá de enfrentar o processo de impugnação e apresentar aos eleitores mineiros sua proposta para retornar à Câmara dos Deputados.
A aliança com a Igreja Mundial passa a integrar esse movimento de reconstrução política, colocando novamente o nome do ex-presidente da Câmara no centro do debate eleitoral nacional.
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