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Dólar despenca após Donald Trump impor tarifas a parceiros comerciais dos EUA

O mercado interpretou a medida como o início de uma guerra comercial.

Isabella Lopes

05 de março de 2025 às 17:58   - Atualizado às 17:58

Foto: Agência Brasil

A Bolsa brasileira encerrou em alta, enquanto o dólar registrou uma queda expressiva de 2,7%, fechando a R$ 5,755 nesta quarta-feira, 5 de março. O movimento ocorre em meio aos desdobramentos das tarifas sobre importações impostas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos principais parceiros comerciais.

O mercado interpretou a medida como o início de uma guerra comercial. No entanto, o governo dos Estados Unidos indicou a possibilidade de novos acordos com México e Canadá para reduzir o impacto das tarifas.

Com isso, surgiu a percepção de que o conflito poderá ser menos intenso do que o esperado. Por conta do feriado de Carnaval, as negociações do dólar no Brasil ficaram paradas, só retomando nesta quarta-feira, 5 de março, às 13h.

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Sobre o 'tarifaço' de Trump

Canadá e China anunciaram medidas de retaliação em resposta às tarifas anunciadas pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que entram em vigor a partir desta terça-feira, 4. As sanções comerciais são de 20% e 25%, respectivamente, aos produtos chineses e canadenses importados aos Estados Unidos.

O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, afirmou, nesta segunda-feira, 3, que "nada justifica essas medidas" de Washington. "Se as tarifas dos Estados Unidos entrarem em vigor, o Canadá responderá a partir da meia-noite. Aplicará taxas de 25% sobre US$ 155 bilhões em bens norte-americanos", completou Trudeau em comunicado.

O Canadá, o México e a China respondem por mais de 40% das importações dos EUA. As tarifas ameaçadas por Trump superariam todas as medidas comerciais adotadas anteriormente. Além disso, elas elevam a média das taxas tarifárias dos EUA "a níveis não vistos desde a década de 1940", disse Chad Bown. Bown é membro sênior do Peterson Institute for International Economics, ao The New York Times.

Trump assinou nesta segunda, 3, uma ordem executiva que aumenta de 10% para 20% as tarifas sobre os produtos chineses que entram nos Estados Unidos. Ele afirma que Pequim não está fazendo o suficiente contra o tráfico de fentanil.

Essas tarifas foram anunciadas em 1º de fevereiro como parte da luta contra a crise dos opioides. Entram em vigor devido à "incapacidade" da China de "combater a inundação de fentanil" que entra nos Estados Unidos, de acordo com uma mensagem publicada na rede social X pela Casa Branca. Ainda na segunda, um porta-voz do Ministério do Comércio chinês disse que o país tomaria medidas de represália.

Nesta terça, 4, a China anunciou que vai impor tarifas adicionais de 10% e 15% sobre várias importações alimentícias dos Estados Unidos, como soja, trigo e frango. Esta ação é em resposta às novas sanções impostas por Washington sobre produtos chineses. Além disso, tarifas extras de 10% serão aplicadas sobre o sorgo, soja, carne suína, carne bovina, produtos aquáticos, frutas, vegetais e laticínios.

Posicionamento do México

A presidente do México, Claudia Sheinbaum, disse nesta terça-feira, 4, que o México responderá às tarifas de 25% impostas pelos Estados Unidos com suas próprias tarifas retaliatórias sobre produtos norte-americanos.

Sheinbaum afirmou que anunciará os produtos que o México irá atingir no domingo, 9, em um evento público na praça central da Cidade do México, o que pode indicar que o México ainda espera desescalar a guerra comercial iniciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

"Não há motivo ou razão, nem justificativa que suporte essa decisão que afetará nosso povo e nossas nações", disse ela. "Responderemos com medidas tarifárias e não tarifárias", disse a presidente ao ressaltar a decisão unilateral americana, que ela classificou como "injustificável". "Sempre buscaremos medidas negociadas", defendeu.

Sheinbaum destacou que o México é um país "soberano", mas que não quer iniciar um confronto comercial com os Estados Unidos, que deve assumir também a responsabilidade pela crise de opioides.

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