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Deputados do PT acionam PGR contra Nikolas após raios terem ferido mais de 80 pessoas em ato

Os deputados solicitam investigação por "exposição da vida a perigo direto e iminente", "lesão corporal dolosa" e "omissão penalmente relevante".

Cami Cardoso

27 de janeiro de 2026 às 18:16   - Atualizado às 18:42

Lindbergh Farias critica caminhada de Nikolas Ferreira.

Lindbergh Farias critica caminhada de Nikolas Ferreira. Foto: Divulgação

O líder do PT na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (RJ), e o deputado Rogério Correia (PT-MG) apresentaram uma notícia de fato à Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), devido aos feridos no ato realizado em Brasília no domingo, 25.

Na peça, encaminhada nesta terça-feira, 27, os deputados solicitam investigação por "exposição da vida a perigo direto e iminente", "lesão corporal dolosa" e "omissão penalmente relevante" por conta das descargas elétricas que atingiram cerca de 80 pessoas.

Na peça, encaminhada nesta terça-feira, 27, os petistas escrevem que os organizadores mantiveram a concentração de pessoas, apesar da existência de alerta meteorológico oficial, nível laranja, emitido pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), com previsão de chuvas intensas, ventos fortes e alto risco de descargas elétricas.

"Mesmo diante desse quadro, os organizadores não promoveram a dispersão da mobilização, mantiveram grande número de pessoas reunidas em área aberta e autorizaram a permanência de estrutura metálica improvisada, que acabou funcionando como pára-raios", diz o documento.

Os deputados também afirmam que "após o ocorrido, o principal organizador do ato, apesar de deter evidente protagonismo, centralizar a fala e exercer liderança política sobre a mobilização, não adotou qualquer providência de contenção, orientação, alerta ou solidariedade às vítimas, limitando-se a discurso político e ataques a instituições".

Os parlamentares também acusam Nikolas de ter agido com dolo eventual. "O organizador do evento, ora representado, na condição de dirigente e organizador da mobilização, assumiu conscientemente o risco de produção do resultado lesivo ao deixar de agir quando tinha o dever jurídico de fazê-lo", sustentam.

A manifestação em Brasília ocorreu com o encerramento de uma caminhada convocada por Nikolas em 19 de janeiro, de Minas Gerais até o Distrito Federal. O parlamentar percorreu 240 quilômetros para protestar contra a prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 27 anos e três meses no âmbito do inquérito da trama golpista.

A reportagem procurou a assessoria de imprensa de Nikolas após a divulgação da representação dos petistas, mas não obteve resposta.

Estadão Conteúdo.

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