Careca do INSS transeriu R$ 1,5 milhão a amiga do filho de Lula. Foto: Divulgação
Documentos reunidos pela Polícia Federal e citados em decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, indicam que Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, realizou transferências que somam cerca de R$ 1,5 milhão para a empresária Roberta Luchsinger.
Segundo os investigadores, em ao menos uma das mensagens analisadas, o Careca do INSS afirmou que parte do dinheiro tinha como destino “o filho do rapaz”, referência que, para a PF, pode indicar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. As informações constam nos autos da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quinta-feira, 18 de dezembro.
Apesar das menções nas mensagens apreendidas, Lulinha não figura como alvo da operação nem foi alvo de medidas judiciais no âmbito da investigação. A Polícia Federal concentra a apuração nas relações financeiras e na atuação do Careca do INSS e de Roberta Luchsinger.
De acordo com o trecho da decisão judicial, a PF identificou uma troca de mensagens em que o Careca do INSS aparece nos registros, tratou do pagamento de uma nova parcela no valor de R$ 300 mil. Questionado pelo contador Milton Júnior sobre quem receberia os valores, o Careca do INSS respondeu de forma objetiva que o dinheiro seria destinado ao “filho do rapaz”. Logo depois, Milton anexou uma mensagem comprovando a transferência de R$ 300 mil para a empresa RL Consultoria e Intermediações Ltda., ligada a Roberta Luchsinger. Para os investigadores, o conteúdo da conversa indica que a quantia teria como destino final a pessoa mencionada na mensagem.
A Polícia Federal também aponta que Roberta Luchsinger manteve uma relação próxima e contínua com o Careca do INSS, mesmo após a deflagração da primeira fase da Operação Sem Desconto, em abril de 2025. Segundo os autos, a empresária seguiu trocando mensagens com ele e discutindo formas de dar continuidade às atividades investigadas. Em uma das conversas citadas, Roberta escreveu que, apesar da distância naquele momento, ambos seguiriam em frente e que tudo se resolveria.
Os investigadores destacam ainda que Roberta chegou a sugerir um advogado para atuar na defesa do Careca do INSS diante das acusações que passaram a recair sobre ele. Em outra troca de mensagens, realizada no dia 29 de abril de 2025, a empresária alertou o ele sobre a apreensão de um envelope com o nome de “nosso amigo” durante uma ação de busca e apreensão.
Na mesma data, segundo a Polícia Federal, Roberta orientou o Careca do INSS a se desfazer dos telefones que utilizava, sugerindo que ele jogasse os aparelhos fora. Dias depois, em 5 de maio de 2025, ela enviou um áudio tentando tranquilizá-lo. No conteúdo citado pela PF, a empresária fez referência a episódios passados envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, mencionando que, à época, surgiram acusações relacionadas a grandes empresas, mas que a situação acabou superada.
Além das transferências financeiras, a investigação também aponta que Roberta Luchsinger atuou em ações de lobby junto ao Ministério da Saúde em parceria com o Careca do INSS. Essa atuação aparece de forma destacada no pedido da Polícia Federal para adoção de medidas contra a empresária. Para os investigadores, essa relação reforça a posição dela como peça estratégica no esquema apurado.
Os autos indicam que, mesmo após a exposição pública da operação, a ligação entre o Careca do INSS e a empresária não se rompeu. A PF afirma que as conversas mostram planejamento, troca de informações sensíveis e tentativas de minimizar riscos diante do avanço das investigações. A proximidade, segundo a apuração, não se limitava a interesses comerciais, mas envolvia confiança e articulação política.
A Operação Sem Desconto segue em andamento e busca esclarecer a origem, o destino e a finalidade dos recursos movimentados pelo Careca do INSS e seus parceiros.
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