Senador do PT é considerado o nome mais alinhado ao presidente Lula no estado, mas avanço de Marília nas pesquisas e nova configuração política preocupam aliados petistas
Marília Arraes com Lula e Humberto Costa Foto: Ricardo Stuckert
Crescimento de Marília Arraes nas pesquisas e possível candidatura ao Senado em 2026 acendem alerta no PT e ameaçam projeto de reeleição de Humberto Costa em Pernambuco.
A possível candidatura de Marília Arraes ao Senado Federal em 2026 já provoca movimentações e preocupações nos bastidores da política pernambucana. O principal impacto seria dentro do próprio campo da esquerda e, especialmente, no projeto de reeleição do senador Humberto Costa (PT), considerado hoje o nome mais alinhado ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Pernambuco.
Nos bastidores do Partido dos Trabalhadores, a prioridade nacional segue sendo garantir a permanência de Humberto no Senado. O parlamentar é visto como um dos principais representantes do lulismo no Nordeste e mantém forte interlocução com o Palácio do Planalto. Porém, a força eleitoral de Marília Arraes e o novo desenho político para 2026 vêm alterando o cenário projetado inicialmente pelo PT.
Levantamentos divulgados por diferentes institutos de pesquisa nos últimos meses mostram Marília com desempenho competitivo em Pernambuco. Em alguns cenários, ela aparece liderando intenções de voto para cargos majoritários, repetindo um comportamento já observado nas eleições anteriores.
Ao mesmo tempo, o crescimento político da governadora Raquel Lyra passou a ser tratado como um dos fatores mais relevantes para a disputa de 2026. Aliados da gestora avaliam que ela chega fortalecida para a eleição e com grandes chances de conseguir eleger ao menos um nome ao Senado em sua chapa, o que aumenta ainda mais a pressão sobre adversários e amplia a competitividade da disputa.
Dentro desse cenário, integrantes da oposição já avaliam que, em uma eventual chapa liderada por João Campos, a ex-deputada Marilia Arraes pode acabar sendo a única candidata com chances mais concretas de vitória ao Senado, dependendo da composição final das alianças e da força dos nomes ligados à governadora.
Nas disputas pela Prefeitura do Recife, em 2020, e pelo Governo de Pernambuco, em 2022, Marília também chegou a liderar pesquisas em momentos decisivos da campanha. Apesar disso, acabou derrotada nas urnas por fatores considerados estratégicos por analistas políticos, entre eles o chamado “voto útil”.
Na eleição municipal do Recife, por exemplo, parte significativa do eleitorado conservador e segmentos ligados ao voto cristão migraram para o então adversário João Campos na reta final da campanha. O movimento foi interpretado como uma tentativa de barrar o crescimento de Marília, consolidando uma frente ampla contra a candidatura da ex-deputada.
Para as eleições de 2026, os movimentos políticos indicam que Marília Arraes deve integrar o grupo liderado pelo ex-prefeito do Recife, João Campos, com uma provável candidatura ao Senado. Nos bastidores, essa composição é vista por analistas como um fator que pode gerar divergências internas dentro da própria aliança, especialmente em relação à disputa por espaços políticos e eleitorais.
Embora não haja sinais de um rompimento público, a presença de diferentes lideranças com capital eleitoral próprio pode produzir tensões silenciosas e rearranjos estratégicos no campo oposicionista ao longo da campanha.
Ao mesmo tempo, o crescimento político de Raquel Lyra também é visto como um fator decisivo para a disputa ao Senado. Integrantes da base governista acreditam que a governadora terá força suficiente para eleger pelo menos um senador em sua chapa, aumentando a competitividade da disputa.
Entre os nomes mais citados nas articulações do grupo da governadora Raquel Lyra para a disputa ao Senado aparecem Eduardo da Fonte e Miguel Coelho. Ambos são considerados nomes competitivos dentro do palanque governista e podem ser beneficiados por um eventual crescimento eleitoral da gestora estadual na corrida pela reeleição.
Nos bastidores, aliados avaliam que uma chapa fortalecida por Raquel Lyra tende a impulsionar também seus candidatos ao Senado, ampliando suas chances de conquistar uma das vagas em disputa em 2026.
Outro fator que preocupa aliados do PT é justamente a pulverização do eleitorado lulista. Marília mantém forte recall eleitoral no estado e possui identificação popular consolidada em regiões metropolitanas e no interior pernambucano. Isso poderia dificultar uma concentração de votos em Humberto Costa, mesmo com o apoio do presidente Lula.
Apesar das movimentações antecipadas, lideranças políticas avaliam que o cenário ainda está aberto e dependerá diretamente das alianças partidárias, da formação das chapas e do posicionamento oficial do presidente Lula sobre os palanques estaduais.
Nos bastidores, no entanto, a avaliação já é clara: uma eventual candidatura de Marília Arraes ao Senado pode se tornar o principal obstáculo político para a reeleição de Humberto Costa em Pernambuco.
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