Brasil sem aborto Foto: Divulgação
A legalização do aborto continua sendo amplamente rejeitada pela maioria da população brasileira. De acordo com a mais recente pesquisa divulgada pelo instituto Ipsos-Ipec, nesta segunda-feira (29), três em cada quatro brasileiros (75%) se disseram contrários à legalização do aborto, enquanto apenas 16% demonstraram apoio à pauta. Outros 6% afirmaram estar neutros, e 1% não soube ou preferiu não opinar.
O levantamento mostra que o apoio à legalização do aborto segue em queda no Brasil. Em comparação com os dados coletados em 2023, o percentual de brasileiros contrários aumentou dois pontos percentuais (de 73% para 75%), enquanto o número de apoiadores do aborto caiu de 18% para 16%. O estudo ouviu duas mil pessoas, de forma presencial, entre os dias 3 e 8 de julho, em todas as regiões do país. A margem de erro é de dois pontos percentuais e o nível de confiança da pesquisa é de 95%.
O tema da legalização do aborto permanece como um dos mais polêmicos e sensíveis do debate público no Brasil. Mesmo com a evolução das discussões sobre saúde pública, autonomia das mulheres e direitos reprodutivos em países da América Latina e da Europa, o Brasil se mantém conservador em relação ao tema. O país ainda adota uma legislação restritiva, permitindo a interrupção da gravidez apenas em casos de estupro, risco à vida da gestante ou anencefalia fetal.
Dados do Datafolha reforçam esse cenário: apenas 6% dos brasileiros defendem que o aborto seja permitido em qualquer situação. Entre as mulheres jovens, esse número sobe discretamente, enquanto entre grupos religiosos, como os evangélicos, o apoio irrestrito não passa de 3%. Em contrapartida, crescem os debates entre profissionais da saúde, juristas e movimentos feministas que defendem uma abordagem mais ampla e humanizada sobre o tema, incluindo educação sexual, acesso a métodos contraceptivos e atendimento integral à saúde da mulher.
Segundo especialistas, o medo da criminalização, o julgamento social e a falta de políticas públicas de acolhimento e orientação contribuem para que muitas mulheres recorram a métodos inseguros para interromper uma gestação indesejada, o que representa um problema grave de saúde pública.
Ainda assim, a resistência da sociedade brasileira à legalização do aborto mostra que há um longo caminho de diálogo, educação e escuta entre os diferentes setores sociais. A pauta, embora controversa, seguirá no centro do debate político e social nos próximos anos.
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