Presidente Lula. Foto:
O Brasil tem o segundo maior juro real do mundo, de acordo com levantamento recente do MoneYou, divulgado pelo portal g1. A posição foi mantida após a decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central de manter a taxa Selic em 15% ao ano, o maior patamar registrado desde 2006. Com uma inflação projetada moderada, os juros reais do país atingiram 9,51%, valor que coloca o Brasil em posição de destaque e alerta no cenário econômico global.
O topo do ranking permanece com a Turquia, que lidera com uma taxa real de 12,34%. A Rússia, por sua vez, ocupa a terceira posição, com juros reais de 4,79%. A presença do Brasil nesse ranking evidencia uma estratégia conservadora do Banco Central para controlar a inflação, ao mesmo tempo em que expõe os desafios fiscais e as incertezas políticas que pressionam a política monetária do país.
Segundo especialistas, a decisão do Copom em manter os juros elevados reflete preocupações com a condução das contas públicas, aumento dos gastos governamentais e o impacto de eventos externos, como a guerra tarifária intensificada durante o governo de Donald Trump nos Estados Unidos. Essas variáveis aumentam a percepção de risco e fazem com que o Banco Central opte por manter os juros altos para conter expectativas inflacionárias.
A presença constante do país nas primeiras posições desse ranking levanta debates entre economistas e investidores. Embora o Brasil tenha o segundo maior juro real do mundo, o custo desse controle é alto: juros elevados encarecem o crédito para consumidores e empresas, travando o crescimento da economia. Em contrapartida, atraem investidores estrangeiros interessados em retornos reais mais robustos.
Apesar do cenário adverso, o Brasil apresenta uma inflação controlada nos últimos meses, o que evita uma escalada ainda maior nos juros. Contudo, a política monetária se mantém cautelosa diante da instabilidade fiscal e das pressões por aumento de gastos públicos.
Em termos nominais, o Brasil caiu da segunda para a quarta posição no ranking global, atrás da Turquia (40,50%), Argentina (29,00%) e Rússia (17,00%). Ainda assim, é o juro real — que desconta a inflação — que serve de termômetro mais preciso para medir o poder de atração da taxa de juros brasileira e sua eficácia no combate à inflação.
Para os brasileiros, o impacto é direto: o crédito fica mais caro, o consumo desacelera e o crescimento econômico é comprometido. Já para investidores, o cenário pode parecer promissor, mas com riscos elevados.
Em resumo, o Brasil tem o segundo maior juro real do mundo — um reflexo do delicado equilíbrio entre combater a inflação, manter a credibilidade econômica e promover o desenvolvimento sustentável.
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