Pernambuco, 05 de Outubro de 2026

Inicio elemento rádio
Icone Rádio Portal

Ouça a Rádio Portal

Final elemento rádio

Brasil enfrenta Trump e próprio passado autoritário com julgamento de Bolsonaro, segundo WP

"Durante décadas, estudei mais de uma dúzia de golpes e tentativas de golpe, e todos eles resultaram em impunidade ou anistia", disse ao The Washington Post o historiador Carlos Fico.

Isabella Lopes

01 de setembro de 2025 às 17:58   - Atualizado às 17:58

Moares, Trump e Bolsonaro.

Moares, Trump e Bolsonaro. Foto:Victor Piemonte/STF e Alan Santos/PR.

O julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e mais sete réus do "núcleo crucial" da tentativa de golpe, que começa nesta terça-feira, 2 de setembro, é destaque no jornal The Washington Post (WP), um dos principais dos Estados Unidos.

Segundo o The Post, o julgamento do ex-presidente, aliados próximos e militares de alta patente marca uma inflexão na história política do Brasil. É a primeira vez que uma tentativa de rompimento da ordem institucional irá a julgamento.

Além da tradição política, há um enfrentamento contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tentou coagir o julgamento com sanções contra o País e o relator do processo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

"Durante décadas, estudei mais de uma dúzia de golpes e tentativas de golpe, e todos eles resultaram em impunidade ou anistia", disse ao The Post o historiador Carlos Fico, um dos principais pesquisadores sobre a questão militar do País. "Desta vez será diferente."

Na mesma linha, a historiadora Lilia Schwarcz afirmou ao jornal que o julgamento contra Bolsonaro e aliados é "simbólico" por romper um "pacto de silêncio" sobre os militares. Mesmo após a redemocratização, os crimes da ditadura militar nunca foram julgados, em razão de uma Lei de Anistia proposta e aprovada pelo próprio regime em 1979.

Veja Também

O The Washington Post também destacou que o julgamento ocorrerá após uma "ruptura crescente" entre Brasil e Estados Unidos promovida pelo presidente Donald Trump. O governo americano realiza uma investida contra o Brasil desde maio, quando o secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou que o governo Trump avaliava sanções contra Alexandre de Moraes.

As tensões se intensificaram a partir de julho, quando o presidente americano manifestou-se contra o que chamou de "caça às bruxas" contra Bolsonaro, anunciou tarifas adicionais a produtos brasileiros e revogou vistos de autoridades. Além disso, Moraes foi sancionado com base na Lei Magnitsky.

Como mostrou o Estadão, os atos do governo americano contra Moraes foram precedidos por uma campanha de bolsonaristas contra o magistrado no exterior. Embora tenha se intensificado com a atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no primeiro semestre deste ano, a campanha já estava em curso desde 2024, quando Moraes entrou em embate com Elon Musk.

Apesar da investida do governo americano, a ação penal seguiu seu curso.

"Em vez de recuar, o Brasil aumentou a pressão sobre o ex-presidente e seus aliados", destacou o The Post. "A Polícia Federal do Brasil indiciou (Jair) Bolsonaro e seu filho, Eduardo, citando as repetidas reuniões do deputado federal com funcionários da Casa Branca, onde ele incentivou medidas punitivas contra o Brasil".

A tarifa de 50% imposta pelos EUA a produtos brasileiros impactou a ação penal em que Bolsonaro é réu. Moraes considerou que as tarifas demonstravam uma tentativa de coação do curso do processo e impôs medidas cautelares a Bolsonaro. Após o descumprimento reiterado da restrição de uso de redes sociais, o ex-presidente teve a prisão domiciliar decretada em 4 de agosto

"Não há a menor possibilidade de recuar nem um milímetro", disse Alexandre de Moraes em entrevista ao The Washington Post publicada em 18 de agosto. "Faremos o que é certo: receberemos a acusação, analisaremos as provas e quem deve ser condenado será condenado, e quem deve ser absolvido será absolvido."


 

Mais Conteúdos

Mais Conteúdos

Mais Lidas

Icone Localização

Recife

08:32, 05 Out

Imagem Clima

26

°c

Fonte: OpenWeather

Notícias Relacionadas

Eleições 2026: com 100% das seções totalizadas, Flávio tem 47,03% e Lula, 45,16%.
Resultado

Eleições 2026: com 100% das seções totalizadas, Flávio tem 47,03% e Lula, 45,16%

O senador terminou o primeiro turno com 2.224.965 votos a mais que o petista, uma diferença de 1,87 ponto percentual. Com o resultado, os dois candidatos avançam para o segundo turno.

Sede do Tribunal Superior Eleitoral
Motivo

TSE explica atraso na divulgação dos resultados do 1º turno por congestionamento de dados

Presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, afirmou que fluxo de dados acima do normal provocou atraso de cerca de uma hora.

Idosos exercem direito do voto.
Cidadania

Quando será o segundo turno das Eleições 2026? Veja a data da nova votação

A eleição presidencial é decidida em segundo turno quando nenhum candidato obtém mais da metade dos votos válidos no primeiro turno. 

mais notícias

+

Newsletter