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PF prepara cela especial para eventual prisão de Bolsonaro

A Polícia Federal (PF) indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e o filho dele, o deputado federal Eduardo Bolsonaro, na quarta-feira (20).

Fernanda Diniz

21 de agosto de 2025 às 15:01   - Atualizado às 15:22

Bolsonaro.

Bolsonaro. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A Polícia Federal preparou uma cela especial temporária para o caso de uma possível prisão em regime fechado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que atualmente cumpre recolhimento domiciliar.

O espaço está localizado no térreo da Superintendência da PF no Distrito Federal, na área conhecida como Setor Policial de Brasília.

Apesar de ser chamada internamente por policiais de “cela de Bolsonaro”, o local é, na verdade, uma sala improvisada e adaptada para custódia individual de autoridades.

A estrutura conta com banheiro reservado, cama, mesa de trabalho, cadeira e televisão, seguindo um modelo semelhante ao da cela utilizada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, durante o período em que esteve preso na Superintendência da PF em Curitiba, entre 2018 e 2019.

A cela pode ser utilizada por outras figuras com prerrogativas semelhantes, e sua existência atende a uma regra jurídica que assegura a ex-presidentes o direito a celas especiais em caso de prisão.

Um exemplo anterior é o do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que ficou detido em uma sala adaptada, a do diretor do presídio estadual, em Maceió (AL), também como forma de garantir tratamento compatível com sua condição de ex-chefe de Estado.

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Bolsonaro indiciado pela PF 

A Polícia Federal (PF) informou nesta quarta-feira, 20 de agosto, que indiciou o ex-presidente Jair Bolsonaro e o filho dele, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), pelos crimes de coação no curso do processo e tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.

A decisão foi tomada após a PF concluir as investigações sobre a atuação de Eduardo junto ao governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para promover medidas de retaliação contra o governo brasileiro e ministros do Supremo.

O governo dos Estados Unidos anunciou nos últimos meses uma série de ações contra o Brasil e autoridades brasileiras, como o tarifaço de 50% contra importações de produtos do país, uma investigação comercial contra o pix e sanções financeiras contra o Ministro Alexandre de Moraes na Lei Magnitsky.

Trump e integrantes de seu governo afirmam que Bolsonaro é alvo de uma "caça às bruxas" e que Moraes age contra a liberdade de expressão e empresas americanas que administram redes sociais.

Em maio, a abertura da investigação na PF contra Eduardo e Jair Bolsonaro foi solicitada ao Supremo pelo procurador-geral da República (PGR), Paulo Gonet, para apurar a suposta atuação do parlamentar para incitar o governo dos Estados Unidos a adotar medidas contra Moraes, escolhido relator do caso por também atuar no comando das ações da trama golpista e no inquérito das fake news.

Eduardo pediu licença de 122 dias do mandato parlamentar em março e foi morar nos Estados Unidos, sob a alegação de perseguição política.

Um pedido de cassação contra seu mandato foi enviado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos) à Comissão de Ética da Casa, na última sexta-feira (16), após representações apresentadas pelo PT e pelo PSOL. 

Nesse processo, o ex-presidente Jair Bolsonaro é investigado por mandar recursos, via pix, para custear a estadia de seu filho no exterior, enquanto ele buscava sanções que visavam pressionar a justiça brasileira.

O ex-presidente Bolsonaro também é réu na ação penal da trama golpista no Supremo, cujo julgamente está marcado para 2 de setembro. Serão julgados os denunciados como integrantes do núcleo 1 da trama golpista que visava reverter o resultado das eleições de 2022 e impedir o governo eleito de Luiz Inácio Lula da Silva. 

Jair Bolsonaro e mais sete aliados estarão no banco dos réus: Alexandre Ramagem, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin); Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Anderson Torres, ex-ministro da Justiça e ex-secretário de segurança do Distrito Federal; Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI); Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro de Bolsonaro e candidato à vice na chapa de 2022; Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro.

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