Aumento de valor do Hospital da Criança chega a quase 50% do orçamento original Foto: Hélia Scheppa e Edson Holanda
Durante a gestão do prefeito João Campos (PSB), a construção do Hospital da Criança do Recife já custa R$ 40,6 milhões a mais do que o previsto inicialmente. O contrato, firmado com a Construtora Celi Ltda em janeiro de 2024, foi originalmente orçado em R$ 111,8 milhões, mas com cinco aditivos publicados no Diário Oficial, o valor global chegou a R$ 152.495.070,59 — um aumento de quase 50%.
Esse aumento de valor do Hospital da Criança acendeu um alerta entre órgãos de controle e parte da sociedade civil. Embora os aditivos sejam legais conforme a Lei nº 8.666/1993, o volume expressivo das alterações contratuais — 44,31% de acréscimo — exige justificativas técnicas robustas e comprovação de interesse público.
O terceiro termo aditivo adicionou R$ 13,8 milhões ao contrato, com R$ 4,5 milhões em serviços excedentes e R$ 9,3 milhões em serviços extras. Já o quinto aditivo, assinado em junho e publicado em 3 de julho de 2025, autorizou mais R$ 20,5 milhões — sendo R$ 13,5 milhões em excedentes e R$ 6,9 milhões em novos serviços.
Ao todo, o aumento de valor do Hospital da Criança não foi compensado por cortes ou reduções em outras etapas da obra. Os extratos divulgados não mencionam supressões, o que indica que os acréscimos ampliaram o escopo ou corrigiram falhas no projeto original, como indicam os pareceres da Procuradoria-Geral do Município.
A origem dos recursos é composta por operações de crédito firmadas pelo município. Embora não haja, até o momento, indícios formais de irregularidade, o Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) já iniciou auditoria técnica para analisar possíveis sobrepreços e inconsistências no projeto.
A falta de transparência detalhada nos aditivos preocupa especialistas. “Um aumento desse porte exige que a prefeitura informe claramente o que mudou, por que mudou e como isso beneficia o cidadão”, avalia um analista de contas públicas ouvido sob condição de anonimato.
Na Câmara Municipal do Recife, vereadores da oposição tentaram convocar representantes da Secretaria de Projetos Especiais para esclarecer o aumento de valor do Hospital da Criança, mas a base aliada rejeitou o pedido. A justificativa do governo municipal é que as alterações foram necessárias para “retificar cláusulas contratuais e atender novas demandas técnicas”.
Apesar da controvérsia, o Hospital da Criança é uma das obras mais esperadas na área da saúde infantil do Recife. A unidade contará com 60 leitos, UTI pediátrica, centro de diagnóstico e uma escola hospitalar. A entrega estava prevista para o primeiro semestre de 2025, mas com os aditivos, a nova previsão é o fim do segundo semestre.
Contudo, para muitos recifenses, resta a dúvida: será que o aumento de valor do Hospital da Criança trará real benefício, ou se trata de má gestão de recursos públicos?
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