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"Não há uma única prova que ligue Bolsonaro ao 8 de Janeiro", diz advogado

Ainda de acordo com a defesa, nem o delator, que é Mauro Cid, chegou a falar sobre a participação do ex-presidente no evento.

Redação

03 de setembro de 2025 às 11:25   - Atualizado às 11:26

Manifestantes no 8 de janeiro e Bolsonaro.

Manifestantes no 8 de janeiro e Bolsonaro. Fotos: Marcelo Camargo/Agência Brasil e Carolina Antunes/PR. Arte: Portal de Prefeitura

O advogado Celso Vilardi, que representa o ex-presidente Jair Bolsonaro na ação penal da tentativa de golpe de Estado, argumenta que o ex-chefe do Executivo foi "dragado pelos fatos" agora em julgamento e "não atentou contra o Estado democrático de direito".

"Não há uma única prova que atrele Bolsonaro ao plano Punhal Verde e Amarelo, à Operação Luneta e ao 8 de janeiro", sustentou em referência aos planos de assassinatos de autoridades e ao planejamento do que poderia acontecer após o suposto golpe.

Ainda de acordo com Vilardi, nem o delator, o ex-ajudante de ordens Mauro Cid chegou a falar sobre a participação de Bolsonaro em tais eventos. O advogado sustentou ainda que Cid mentiu em sua delação e alegou que o Ministério Público não fez provas sobre o contraditório a respeito de tais planos encontrados no celular do delator.

O advogado deu início a sua sustentação oral nesta quarta-feira, 3, classificando o julgamento como histórico, tanto pelo tema quanto por tratar de um ex-presidente. No caso de seu cliente, argumentou que a base do processo é uma delação e uma minuta encontrada no celular do delator.

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"O que aconteceu com a investigação a partir daí é uma sucessão inacreditável de fatos, porque foi achada a minuta do Punhal Verde e Amarelo, a planilha da Operação Luneta e então o trágico episódio do 8 de janeiro ocorreu. Bolsonaro foi dragado para esses fatos", apontou.

Com relação à delação de Cid, especificamente, o advogado sustentou que a colaboração não é uma "jabuticaba" - como alegado por outros advogados da ação penal do golpe -, mas "algo muito mais grave".

"A jabuticaba existe no Brasil. A delação de Cid é algo que não existe nem aqui nem em nenhum lugar do mundo", sustentou. Segundo o advogado, omissões ou contradições devem anular a delação, sem "aproveitamento" da mesma.

Vilardi também sustentou que o histórico do processo foi "complicado" e voltou a defender que o caso não deveria estar sob a alçada do Supremo Tribunal Federal, apesar de ser algo "já decidido". Alegou ainda que demonstrará um suposto cerceamento de defesa e que a banca chega ao julgamento "com uma carga de uma parte da população e de juristas tratando de uma condenação sem conhecer os autos".

Estadão Conteúdo

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