Carros que mais depreciaram na tabela e nas lojas de semi-novos do país. Foto gerada por inteligência artificial.
O mercado de automóveis zero-quilômetro no Brasil registra oscilações expressivas nos valores praticados em concessionárias quando comparados à cotação da Tabela Fipe.
A competição acirrada, o reposicionamento de versões e o direcionamento de vendas diretas para frotistas explicam a perda acelerada de valor em modelos tradicionais.
Levantamento publicado pelo portal Auto+ TV, focado no comparativo entre os preços de lançamento e a cotação Fipe, revelou que o Renault Duster Iconic Plus 1.3 turbo flex liderou a lista de desvalorização percentual entre os zero-quilômetro.
O utilitário esportivo, lançado ao preço sugerido de R$ 165.890, teve sua cotação Fipe ajustada para R$ 123.363, representando uma retração de 25,6% (ou R$ 42.527 a menos).
Em valores nominais absolutos, o recuo mais acentuado ficou com o Jeep Compass Blackhawk 2.0 turbo. Posicionado no topo da gama e voltado a um público de nicho focado em alto desempenho, o modelo era vendido por R$ 279.990 em seu lançamento. Um ano após a apresentação, a cotação média do modelo na Tabela Fipe caiu para R$ 221.458.
A diferença representa um recuo financeiro de R$ 58.532, o equivalente a uma perda de 20,9% sobre o preço de nota fiscal. Outro modelo de volume afetado no mesmo período foi o sedã compacto Chevrolet Onix Plus Premier 1.0 turbo manual, cujo valor de lançamento caiu de R$ 113.990 para R$ 89.336 na Fipe, registrando queda de 21,6% (R$ 24.654 a menos).
A depreciação no mercado secundário também é influenciada pelas estratégias de venda direta executadas pelas montadoras para grandes empresas e locadoras de veículos.
A picape Volkswagen Saveiro Robust 1.6 Cabine Dupla exemplifica como o volume de frota afeta as cotações. Lançada com preço público sugerido de R$ 123.990, a picape teve seu valor ajustado para R$ 93.255 na Tabela Fipe após um ano de mercado, uma desvalorização de 24,8% (ou R$ 30.735).
Como os lotes são faturados com altos descontos para frotistas, o retorno dessas unidades ao varejo pressiona os preços médios para baixo na tabela oficial.
No segmento de veículos 100% elétricos e híbridos, o avanço tecnológico contínuo e as constantes reduções de preços promovidas por montadoras asiáticas geraram um cenário de depreciação ainda mais acentuado entre os seminovos.
De acordo com o relatório IBV Auto, desenvolvido pelo banco BV com a consultoria 4intelligence, automóveis totalmente elétricos lançados em 2023 acumularam desvalorização média de 45,6%.
Em contrapartida, os modelos equivalentes equipados estritamente com motores a combustão registraram uma perda média de 19,6% no mesmo período de uso.
Exemplos emblemáticos dessa dinâmica afetaram diretamente marcas tradicionais e asiáticas. O hatch elétrico Renault Megane E-Tech, trazido ao país por R$ 279.900 em seu lançamento, sofreu forte retração ao ver concorrentes diretos chegarem com preços menores, fazendo a cotação de unidades seminovas despencar no mercado secundário.
O mesmo fenômeno atingiu o sedã elétrico BYD Seal. Embora tenha feito sucesso imediato nas concessionárias com preço inicial de R$ 296.800, o aumento da oferta de veículos eletrificados usados no país e novas ações promocionais no varejo reduziram o valor praticado por revendedores para faixas inferiores a R$ 220.000.
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