Novos casos de infecção pelo vírus Nipah na Índia Foto: Reprodução/IA
As grandes emergências sanitárias raramente começam em aeroportos ou hospitais de referência. Muitas têm origem em regiões marcadas por degradação ambiental, avanço urbano desordenado e interação crescente entre seres humanos e a fauna silvestre.
É nesse cenário que o vírus Nipah volta a chamar atenção de autoridades de saúde ao redor do mundo.
Identificado no final da década de 1990, o patógeno circula há anos no Sul e Sudeste da Ásia, provocando surtos esporádicos, porém recorrentes.
Embora não seja um agente desconhecido, o contexto atual — marcado por mudanças climáticas, expansão agrícola e alta mobilidade humana — amplia seu potencial de risco.
O Nipah é uma zoonose associada a morcegos frugívoros do gênero Pteropus, considerados reservatórios naturais.
A transmissão para humanos pode ocorrer de diferentes formas: contato com secreções desses animais, consumo de alimentos contaminados ou interação com hospedeiros intermediários, como suínos.
Em regiões afetadas, práticas alimentares tradicionais, como o consumo de seiva de palmeira crua ou frutas expostas, têm sido apontadas como vias importantes de contaminação.
A persistência desses hábitos dificulta o controle total da circulação viral.
Pertencente à família Paramyxoviridae, o vírus possui material genético de RNA, característica que favorece mutações e adaptação.
A doença associada a ele apresenta evolução rápida e quadro clínico grave, com febre, sintomas respiratórios e comprometimento neurológico severo, incluindo encefalite.
Não existe vacina aprovada nem medicamento antiviral direcionado.
O tratamento disponível baseia-se apenas em suporte clínico, o que eleva a taxa de mortalidade, que pode ultrapassar metade dos casos confirmados.
Desde sua descoberta, aproximadamente 700 infecções humanas foram registradas, com mais de 400 mortes. Índia e Bangladesh concentram a maioria dos episódios ao longo das últimas décadas.
Em 2026, novos registros nesses países reacenderam o alerta internacional, mesmo com números reduzidos.
O fator que mais preocupa especialistas é a capacidade de transmissão entre pessoas, já documentada em surtos anteriores, especialmente em ambientes hospitalares.
Profissionais de saúde figuram entre os grupos mais vulneráveis, o que reforça o risco de amplificação dos casos.
A trajetória do Nipah guarda semelhanças com outras emergências causadas por vírus de origem animal.
Desmatamento, mudanças no uso do solo, criação intensiva e aquecimento global ampliam o contato entre humanos e patógenos antes restritos à vida silvestre.
Esses elementos criam condições favoráveis para que surtos locais ultrapassem fronteiras, sobretudo em um mundo altamente conectado.
Evitar que o Nipah se transforme em uma ameaça global depende de estratégias antecipadas.
Monitoramento genômico, vigilância integrada entre saúde humana, animal e ambiental, além de protocolos rígidos em unidades de saúde, são apontados como fundamentais.
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