Caravelas-portuguesas. Créditos: Divulgação/Corpo de Bombeiros
A temporada de verão na Praia do Cassino, em Rio Grande, no Sul do Rio Grande do Sul, foi marcada por um incidente ambiental preocupante durante o último feriado.
Um surto de acidentes envolvendo caravelas-portuguesas e águas-vivas resultou em 576 registros de queimaduras atendidos pelos guarda-vidas locais. A situação acendeu um alerta nas autoridades de saúde e segurança pública da região.
De acordo com os balanços oficiais, a gravidade de alguns casos exigiu intervenção hospitalar. Ao todo, dez pessoas foram encaminhadas à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Cassino.
Entre as vítimas, nove apresentavam estado moderado, enquanto o caso mais preocupante envolveu uma menina de 12 anos, que sofreu queimaduras severas na região do tórax.
A presença das caravelas-portuguesas no litoral gaúcho não é um fenômeno isolado, mas sim o resultado de uma combinação de fatores meteorológicos e oceanográficos.
Segundo Renato Nagata, professor de oceanografia da Universidade Federal do Rio Grande (FURG), a chegada desses animais foi impulsionada por uma frente fria que trouxe ventos de direção sudoeste.
Esses ventos empurraram os organismos, que flutuam na superfície, em direção à costa.
Embora a incidência dos animais não seja considerada recorde em termos de quantidade absoluta, o volume de banhistas na praia durante o feriado de Iemanjá potencializou o número de acidentes.
Vale destacar que a caravela-portuguesa é significativamente mais perigosa que a água-viva comum. Ela possui um veneno neurotóxico potente que pode causar dores intensas e marcas na pele que persistem por meses, além de afetar o sistema nervoso de pessoas mais sensíveis.
Especialistas apontam que a visão de caravelas-portuguesas em águas temperadas e subtropicais, como as do Rio Grande do Sul, pode deixar de ser uma raridade.
Historicamente mais comuns nas regiões Norte e Nordeste, onde as águas são mais quentes, esses cnidários estão expandindo sua ocorrência devido ao aquecimento global.
O prognóstico para o futuro é que animais típicos de regiões tropicais passem a frequentar o litoral sul com maior regularidade.
Esse processo de "tropicalização" das águas gaúchas indica que os banhistas e as autoridades locais deverão se adaptar a novos protocolos de segurança e monitoramento ambiental para evitar surtos ainda maiores nas próximas temporadas de verão.
A orientação principal dos guarda-vidas é o distanciamento total. Mesmo que a caravela pareça morta ou esteja encalhada na areia, seus tentáculos podem manter as células urticantes ativas e causar ferimentos graves.
Caso ocorra o contato, o protocolo de primeiros socorros deve ser seguido rigorosamente para evitar o agravamento da lesão.
O que fazer em caso de queimadura:
Não esfregue o local: Isso espalha o veneno e rompe mais células urticantes.
Remova os tentáculos: Use um objeto rígido, como um cartão de crédito ou uma pinça, para retirar restos do animal.
Use vinagre: O ácido acético ajuda a neutralizar a toxina da caravela-portuguesa.
Procure ajuda médica: Se houver sintomas como vômitos, febre ou dificuldade respiratória, a busca por uma UPA deve ser imediata.
A conscientização sobre os riscos da caravelas-portuguesas é a melhor forma de prevenir acidentes. A recomendação é que, ao avistar o animal na água ou na areia, o banhista informe imediatamente o posto de salvamento mais próximo.
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