Polilaminina: o que se sabe até agora sobre o tratamento capaz de fazer pacientes voltarem a andar Foto: Freepik
A polilaminina entrou no radar da ciência brasileira como uma possível inovação no tratamento da lesão medular. Desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro, a substância começou a ser testada em humanos após autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária.
Embora ainda esteja na fase 1 de estudos clínicos, os primeiros dados despertaram interesse na comunidade médica e em pacientes que convivem com paraplegia ou tetraplegia.
A polilaminina é um composto derivado da laminina, proteína naturalmente presente no corpo humano e fundamental para o crescimento celular e organização dos tecidos. No sistema nervoso, a laminina estimula o crescimento dos axônios, estruturas responsáveis por transmitir impulsos elétricos entre os neurônios.
A versão desenvolvida em laboratório atua como uma espécie de suporte estrutural na área lesionada da medula. A proposta é criar um ambiente favorável para que os axônios rompidos voltem a crescer.
O desenvolvimento da substância ocorre em parceria com a farmacêutica Cristália. A proteína utilizada é extraída de placentas doadas voluntariamente após o parto, passa por processo de purificação e é preparada para aplicação durante cirurgia.
O tratamento experimental envolve a aplicação direta da polilaminina na medula espinhal durante procedimento cirúrgico. A substância é injetada na região acima e abaixo do local da lesão.
A expectativa é que ela funcione como um “andaime biológico”, estimulando a regeneração dos axônios. Esse mecanismo foi observado em modelos experimentais com animais antes de avançar para testes em humanos.
É importante destacar que a reabilitação continua sendo parte essencial do processo. A fisioterapia ajuda a direcionar a reconexão neural e estimular a recuperação funcional.
Um estudo preliminar realizado pela UFRJ avaliou oito pacientes com lesões medulares classificadas como completas, consideradas as mais graves. O trabalho foi divulgado como pré-print, ou seja, ainda não passou por revisão de especialistas independentes.
Dos pacientes acompanhados, seis apresentaram algum nível de recuperação de movimentos. Os pesquisadores compararam os dados com registros históricos da literatura médica, que indicam taxas médias de recuperação em torno de 15% em casos semelhantes tratados apenas com cirurgia e reabilitação convencional.
Apesar dos números considerados animadores, especialistas alertam que o grupo foi pequeno e que ainda não há comprovação definitiva de eficácia.
A Anvisa autorizou o início da fase 1 dos estudos clínicos. Essa etapa avalia principalmente a segurança da substância em um grupo reduzido de pacientes.
Os testes serão conduzidos em parceria com o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e a Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. A etapa de reabilitação contará com apoio da AACD.
Se os resultados indicarem segurança, o estudo seguirá para as fases 2 e 3, que avaliam eficácia e ampliam o número de participantes. Só após esse processo a agência reguladora poderá analisar um eventual pedido de registro.
Não. A polilaminina ainda não tem autorização para comercialização. Em alguns casos, pacientes conseguiram acesso por meio de decisões judiciais, mas especialistas ressaltam que o uso fora de protocolos de pesquisa não substitui a necessidade de estudos clínicos completos.
Médicos reforçam que parte dos pacientes com lesão medular pode apresentar alguma melhora espontânea, o que exige cautela na análise de resultados iniciais.
Ainda não há prazo definitivo. Caso as próximas fases confirmem segurança e eficácia, o pedido de registro poderá ser submetido nos próximos anos. Até lá, a polilaminina segue como uma aposta promissora, mas em estágio experimental.
Para pacientes e familiares, a expectativa é alta. Para pesquisadores e reguladores, o foco está em garantir que qualquer nova terapia seja validada com rigor científico antes de chegar à prática clínica.
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