Nos experimentos realizados, o grupo observou que a nova cepa consegue se espalhar pelo ar e se multiplicar em células das vias respiratórias humanas.
Nova variante da gripe identificada na China preocupa cientistas e desperta medo de nova pandemia. Foto: Reprodução/Cofen
Uma nova variante do vírus da gripe, descoberta na China, tem chamado a atenção da comunidade científica mundial. A cepa, identificada como D/HY11, pertence ao tipo influenza D (IDV), que até então era restrito a animais, e apresenta sinais de que pode estar se adaptando para infectar humanos. A descoberta levanta o medo de uma nova pandemia igual à Covid-19 em 2020.
O achado foi divulgado em um estudo publicado na revista Emerging Microbes & Infections em 10 de outubro.
Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Veterinária de Changchun, liderados por Hongbo Bao, analisaram o vírus isolado de bovinos no nordeste da China em 2023. Nos experimentos realizados, o grupo observou que a nova cepa consegue se espalhar pelo ar e se multiplicar em células das vias respiratórias humanas, o que acende o alerta para um possível salto de espécie.
O influenza D foi identificado pela primeira vez em 2011, em suínos nos Estados Unidos, que apresentavam sintomas semelhantes aos da gripe. Desde então, o vírus se tornou comum em rebanhos bovinos e já foi detectado em diversos países da América do Sul, Europa, Ásia e África. Além de vacas e porcos, o patógeno também foi encontrado em cabras, ovelhas, cavalos, camelos e cães.
Segundo os autores do estudo, o vírus D/HY11 mostrou ampla capacidade de infecção em mamíferos, apresentando o que os cientistas chamam de tropismo respiratório, a habilidade de se adaptar às células do trato respiratório de diferentes espécies. Essa característica aumenta o risco de o vírus ultrapassar a barreira entre animais e humanos, algo que preocupa pesquisadores desde o início da pandemia de Covid-19.
Nos testes de laboratório, o vírus conseguiu se replicar com eficiência em células humanas, caninas, bovinas e suínas. Em uma das etapas mais importantes do estudo, os cientistas colocaram o D/HY11 em contato com furões, animais usados como modelo padrão para o estudo da gripe humana.
O resultado mostrou que o vírus foi capaz de se espalhar pelo ar de animais infectados para outros saudáveis, sem contato direto, um comportamento considerado um dos principais sinais de potencial de transmissão entre pessoas.
Os pesquisadores também analisaram a resistência do D/HY11 a medicamentos antivirais usados contra a gripe comum. A cepa mostrou-se resistente à maioria dos remédios tradicionais, mas respondeu de forma mais favorável a drogas que atuam sobre a polimerase viral, proteína responsável pela replicação do vírus dentro das células. Esse dado pode orientar futuras estratégias de prevenção e tratamento, caso o vírus venha a circular entre humanos.
Outro ponto que chamou a atenção dos especialistas foi o nível de atividade da polimerase da nova cepa, que se mostrou mais alto do que o observado em versões anteriores do influenza D. Essa diferença pode facilitar a disseminação do vírus entre mamíferos, tornando a nova variante mais adaptável a diferentes hospedeiros.
Até o momento, não há registros confirmados de transmissão direta entre humanos, mas os pesquisadores afirmam que os resultados laboratoriais indicam a necessidade de monitoramento constante. O estudo reforça que mudanças genéticas recentes vêm tornando o vírus mais eficiente em se replicar em organismos de espécies variadas, o que pode aumentar as chances de infecção humana.
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