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Homem trans é o primeiro a dar à luz em hospital da rede pública da Paraíba

Daniel Valentim precisou interromper a terapia hormonal para realizar o sonho de formar uma família ao lado da esposa, Gisele Castro, que também é trans.

29 de junho de 2026 às 18:06   - Atualizado às 18:33

Homem trans é o primeiro a dar à luz em hospital da rede pública da Paraíba.

Homem trans é o primeiro a dar à luz em hospital da rede pública da Paraíba. Foto: Divulgação/GovPB

O nascimento da pequena Iara entrou para a história da saúde pública da Paraíba. Daniel Valentim, homem trans e estudante de Agronomia, tornou-se o primeiro a dar à luz em uma unidade da rede estadual, após uma gestação marcada por desafios físicos, emocionais e episódios de preconceito.

Morador de Esperança, no Agreste paraibano, Daniel precisou interromper a terapia hormonal para realizar o sonho de formar uma família ao lado da esposa, Gisele Castro, que também é trans. A gravidez foi considerada de alto risco devido a um diagnóstico de trombose e terminou com o parto realizado no Hospital da Mulher, em João Pessoa.

Homem trans é o primeiro a dar à luz em hospital da rede pública da Paraíba.

Ao longo da gestação, Daniel conta que enfrentou um dos momentos mais difíceis da transição. A suspensão dos hormônios provocou mudanças corporais que desencadearam episódios intensos de disforia de gênero.

"Eu não conseguia me olhar no espelho. Via meu quadril alargando, o peito crescendo e a barriga aumentando. Sempre repetia para mim mesmo que tudo aquilo era pela minha filha", relatou.

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Gisele também precisou interromper o tratamento hormonal, realizado havia mais de 15 anos. Segundo ela, o acompanhamento médico permitiu reverter temporariamente as alterações reprodutivas para que o casal pudesse engravidar.

A primeira tentativa ocorreu em 2022, mas foi interrompida pelo impacto emocional causado pelas transformações físicas. Em 2025, eles decidiram tentar novamente e a gravidez aconteceu logo nos primeiros meses.

A confirmação veio de forma inesperada. Daniel realizou um teste de farmácia antes da esposa e preparou uma surpresa com um pacote de fraldas e o exame positivo.

Atendimento especializado

Embora o pré-natal tenha começado em Campina Grande, o casal optou por concluir o acompanhamento no Hospital da Mulher, na capital paraibana. A escolha ocorreu após descobrirem que a unidade já possuía experiência no atendimento à população trans.

Com apoio do Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais Fernanda Benvenutty, a transferência foi realizada no oitavo mês de gestação.

Segundo Daniel, o acolhimento recebido pela equipe médica foi determinante para que o parto acontecesse com segurança e respeito.

Preconceito durante a gravidez

Além das dificuldades relacionadas à saúde, Daniel afirma que precisou lidar com situações de discriminação em espaços públicos durante toda a gestação.

Mesmo diante do preconceito, ele diz que a expectativa pela chegada da filha serviu como motivação para enfrentar os meses mais difíceis.

Família e representatividade

Hoje, o casal acredita que a própria história ajuda a ampliar o debate sobre diversidade e parentalidade. Para Gisele, o nascimento de Iara mostra que amor, cuidado e responsabilidade são os pilares de qualquer família, independentemente da identidade de gênero dos pais.

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