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Flores de cannabis medicinal impulsionam corrida por tratamento: Brasil acelera regulamentação 2025

Com flores in natura de cannabis ganhando protagonismo, Brasil avança para um novo patamar de regulamentação e acesso ao tratamento medicinal para milhares de pacientes.

Joice Gomes

14 de outubro de 2025 às 12:35

Flores de cannabis medicinal voltam ao foco no Brasil, acelerando avanços regulatórios.

Flores de cannabis medicinal voltam ao foco no Brasil, acelerando avanços regulatórios. Imagem gerado por IA

Após anos de restrições e judicialização, as flores in natura de cannabis ressurgem como protagonistas no tratamento de diversas condições de saúde, incluindo epilepsia refratária, dores crônicas e doenças neurológicas. A revalorização da planta acontece na esteira de decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que, em 2024, abriram caminho para autorizações sanitárias voltadas ao cultivo, plantio e comercialização do cânhamo industrial, desde que limitado ao baixo teor de THC – inferior a 0,3%. Essa distinção, fundamental para separar a cannabis medicinal da recreativa, removeu um dos grandes entraves à expansão do mercado.

Crescimento do número de pacientes e impacto social

Nos últimos três anos, o número de pacientes tratados com cannabis medicinal disparou. Segundo associações, somam-se hoje mais de 130 mil pessoas com acesso regular aos produtos à base da planta. Esse aumento reflete tanto um maior entendimento dos benefícios terapêuticos quanto a articulação de famílias e ONGs, que pressionam por mais acesso, menos burocracia e políticas públicas unificadas.

  • Epilepsia refratária;
  • Dor crônica;
  • Transtornos neurológicos;
  • Esclerose múltipla.

Essas patologias são condições emblemáticas no uso do tratamento integral com cannabis, trazendo qualidade de vida e esperança onde alternativas convencionais não entregam resultados satisfatórios.

Novos protocolos e a abordagem integral

A demanda por um tratamento integral com a planta reflete uma tendência internacional: expandir o foco para além dos principais canabinoides (THC e CBD), incorporando outros compostos presentes nas flores de cannabis, como terpenos e canabinoides secundários. Protocolos mais modernos já utilizam CBG, CBN, beta-cariofileno, além de estratégias nutricionais e mudanças no estilo de vida, conforme recomendam associações médicas e especialistas.

O desafio regulatório e o papel da Anvisa

O avanço judicial, embora significativo, ainda esbarra na morosidade regulatória. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) permanece em destaque no processo, seja pelo protagonismo da RDC 327/2019 que abriu a porta para medicamentos à base de canabidiol, ou pela obrigação de criar novas regras para o cultivo industrial da planta, vigente após decisão do STJ. Recentemente, a AGU solicitou ao tribunal mais 180 dias para concluir a regulamentação, justificando a necessidade de diálogo com sociedade civil e análise de impacto regulatório. No entanto, o prazo inicial foi mantido, ampliando as expectativas para definições até o final de 2025.

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Economia e empregos: mercado bilionário em potencial

O setor da cannabis medicinal no Brasil já movimenta quase R$ 1 bilhão ao ano, com estimativas chegando a R$ 5,7 bilhões até 2030, uma vez consolidada a regulamentação e permitida a produção nacional de insumos. Oportunidade para pesquisadores, farmacêuticas e associações cresce à medida que o país avança na legislação, posicionando-se para integrar um mercado global que valoriza flores in natura pela riqueza de compostos e potenciais terapêuticos.

Lista de impactos econômicos:

  • Geração de empregos diretos e indiretos;
  • Pesquisa e inovação em saúde;
  • Investimentos nacionais e internacionais;
  • Redução de custos no sistema público de saúde.

Judicialização e o papel dos pacientes

Milhares de famílias continuam recorrendo ao judiciário para garantir acesso ao cultivo próprio ou ao fornecimento de produtos via Sistema Único de Saúde (SUS). A judicialização evidencia o vácuo regulatório e a urgência por políticas públicas que olhem para a demanda social da cannabis medicinal como questão de saúde e justiça social.

Brasil e o mercado internacional

O Brasil pode se tornar líder latino-americano na produção de cânhamo para fins medicinais e industriais. Quase todos os produtos comercializados hoje são importados, criando potencial para o desenvolvimento da cadeia produtiva nacional e para exportação, desde que a regulamentação siga padrões internacionais de segurança e qualidade.

O que muda para o paciente em 2025?

Neste ano, os pacientes ganham acesso mais rápido e amplo às flores de cannabis, que agem em segundos quando inalada, tempo muito inferior ao início da ação dos óleos tradicionais, que pode chegar a até 45 minutos. Isso representa um salto especialmente relevante para quem precisa de alívio imediato em crises de epilepsia, ansiedade, pânico, dor e esclerose múltipla. Além disso, a popularização do uso das flores traz redução significativa de custos e maior disponibilidade de produto, tornando o tratamento mais acessível para classes de menor poder aquisitivo.

Quais patologias são contempladas pelo tratamento integral com flores?

O tratamento integral com flores de cannabis já é realidade para diversas doenças, com benefícios documentados em:

  • Epilepsia refratária;
  • Ansiedade e pânico;
  • Fibromialgia;
  • Esclerose múltipla;
  • Insônia;
  • Doenças crônicas de dor (dor neuropática, artrite, artrose);
  • Síndrome de Tourette;
  • Autismo;
  • Transtorno obsessivo-compulsivo (TOC);
  • Transtorno do estresse pós-traumático (TEPT).

Pacientes também relatam melhora expressiva na depressão, nos sintomas de Alzheimer, Parkinson, enxaquecas e até em quadros oncológicos, especialmente pela ação analgésica e pelo estímulo do apetite promovido pelos canabinoides presentes nas flores.

Como o Congresso pode acelerar ou frear avanços para saúde pública?

O papel do Congresso será decisivo nos próximos meses. Projetos de lei parados ou em tramitação como o PL 399/2015 podem acelerar a regulamentação do plantio, produção e comercialização da cannabis medicinal, facilitando ainda mais o acesso e ampliando políticas públicas de saúde. Mas o mesmo Congresso pode frear importantes avanços, submetendo o tema a debates ideológicos, atrasando votações e deixando o Brasil atrás de outros países que já colhem frutos econômicos e de inovação com legislações mais modernas. O envolvimento de associações médicas, sociedade civil e pacientes é considerado estratégico para evitar retrocessos.

O que as novas pesquisas revelam sobre canabinoides secundários?

Não apenas THC e CBD estão em destaque. Novas pesquisas brasileiras e internacionais revelam o potencial do CBG (canabigerol) e outros canabinoides secundários no controle de dores resistentes e em síndromes neurológicas específicas. O CBG, por exemplo, mostrou resultados animadores em modelos animais para alívio da dor sem produzir efeitos psicoativos típicos do THC. O estudo desses compostos abre perspectivas para desenvolver tratamentos mais precisos e personalizados, explorando melhor o potencial terapêutico da planta e reduzindo até efeitos colaterais indesejados.

Perspectivas e próximos passos

As consultas públicas abertas pela Anvisa sinalizam que o debate está mais maduro, ao passo que associações e especialistas pressionam por regulamentações seguras e inclusivas. O setor espera a edição da nova norma para ainda este ano, com ampliação das possibilidades de cultivo, comercialização e prescrição personalizada, alinhando o Brasil ao modelo dos países mais avançados no tratamento integral por meio de cannabis.

O novo valor das flores

Em um cenário transformador, as flores de cannabis medicinal voltam ao centro do debate, promovendo avanços não só na ciência e na economia, mas principalmente no acesso à saúde de qualidade e ao cuidado humanizado para milhares de brasileiros. O ano de 2025 simboliza, para pacientes e profissionais, uma nova chance de transformar vidas e reforçar a autoridade e confiabilidade do setor.

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