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Estudo inédito mostra que Mounjaro altera sinais do cérebro ligados ao desejo de comer

A descoberta surgiu após uma paciente relatar que, ao aumentar a dose do medicamento, o "barulho alimentar" expressão usada por pessoas que enfrentam pensamentos persistentes sobre comida havia diminuído.

Isabella Lopes

17 de novembro de 2025 às 15:41   - Atualizado às 15:42

Pessoa aplicando caneta emagrecedora.

Pessoa aplicando caneta emagrecedora. Foto: Freepik

Uma nova pesquisa publicada na Nature Medicine trouxe evidências inéditas sobre como a tirzepatida, substância presente no Mounjaro, interfere diretamente no cérebro.

O estudo, conduzido por pesquisadores da Universidade da Pensilvânia, registrou pela primeira vez em humanos mudanças nos sinais elétricos do núcleo accumbens, área relacionada ao prazer, à recompensa e ao impulso de comer.

A descoberta surgiu após uma paciente relatar que, ao aumentar a dose do medicamento, o “barulho alimentar” expressão usada por pessoas que enfrentam pensamentos persistentes sobre comida havia diminuído. A equipe decidiu monitorar em tempo real como o cérebro dela reagia durante o uso do remédio.

Três pessoas com obesidade severa e episódios de compulsão alimentar participaram da pesquisa. Todas possuíam eletrodos implantados no núcleo accumbens, usados em testes clínicos voltados ao controle de comportamentos desregulados.

Nos dois primeiros voluntários, a equipe aplicou estímulos elétricos para tentar reduzir o impulso alimentar. No terceiro caso, a tirzepatida, por si só, modificou o padrão das ondas elétricas registradas. Durante as semanas em que a paciente relatou menor fissura por comida, houve queda nas oscilações de baixa frequência, sinais associados ao desejo intenso.

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Quando essas ondas reapareceram meses depois, os impulsos voltaram junto. Para os pesquisadores, isso indica uma possível adaptação do cérebro ao remédio ao longo do tempo.

Como o cérebro regula o impulso de comer

O estudo reforça que a vontade de comer não depende apenas de necessidades biológicas. O cérebro opera duas redes importantes: A primeira controla fome e saciedade, ajustando o corpo conforme a demanda de energia.

A segunda está ligada ao prazer e envolve regiões ativadas por lembranças, cheiros e sensações associadas à comida. Nos momentos de compulsão, essa segunda rede fica mais intensa, produzindo sinais que reforçam o impulso alimentar.

Os pesquisadores observaram que a tirzepatida reduz temporariamente essa atividade exagerada, o que ajuda a silenciar o impulso automático de buscar comida mesmo sem necessidade física.

Possíveis impactos 

Embora o estudo tenha analisado apenas a tirzepatida, os autores afirmam que outros agonistas de GLP-1, como semaglutida (Ozempic e Wegovy), podem agir de forma semelhante no cérebro.

Eles destacam que o núcleo accumbens também está envolvido em circuitos associados ao vício, o que abre espaço para investigar se as medicações podem influenciar outros comportamentos compulsivos.

Os pesquisadores pretendem estudar diferentes doses, combinações e novas aplicações, buscando entender por quanto tempo os efeitos cerebrais podem ser mantidos.

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