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Cavalinha deixa de ser "peixe de pobre" e vira queridinha da nutrição: veja por quê

Antes subestimada nas mesas simples, a cavalinha ganha status de superpeixe acessível, rica em ômega-3, proteínas e nutrientes que protegem o coração e o cérebro.

Joice Gomes

29 de novembro de 2025 às 12:55

Cavalinha deixa o rótulo de "peixe de pobre" e se consolida como fonte de ômega-3.

Cavalinha deixa o rótulo de "peixe de pobre" e se consolida como fonte de ômega-3. Fotode Richard Bell na Unsplash

A cavalinha, que por décadas carregou o rótulo injusto de “peixe de pobre”, começa a viver um momento de reviravolta nas cozinhas brasileiras. Barata, acessível e presente em feiras e mercados populares, ela agora ganha espaço também em mesas mais exigentes, impulsionada por evidências cada vez mais sólidas sobre seu valor nutricional.

Durante muito tempo, servir cavalinha a convidados era visto, em algumas regiões, como sinônimo de excesso de simplicidade, mesmo em famílias que tinham o hábito de consumi-la com frequência no dia a dia. Esse estigma social afastou o peixe de cardápios mais sofisticados, apesar de suas características nutricionais estarem à altura – e muitas vezes acima – de espécies consideradas nobres.

De estigma social a superalimento

Com o avanço dos estudos em alimentação e saúde, a percepção sobre a cavalinha começou a mudar de forma consistente. Hoje, nutricionistas e especialistas em saúde cardiovascular destacam o peixe como uma das escolhas mais completas e inteligentes para quem deseja unir economia e bem-estar no prato.

A cavalinha é considerada um peixe gorduroso “do bem”, com alta concentração de ômega-3, substância associada à proteção do coração, do cérebro e à redução de processos inflamatórios no organismo. Esse perfil faz com que ela rivalize com peixes muito mais caros, como salmão e atum, em termos de benefícios para a saúde, mantendo, porém, um preço bem mais amigável para o consumidor médio.

Potência nutricional em 100 gramas

Do ponto de vista proteico, a cavalinha também chama atenção. Em uma porção de 100 g, o peixe oferece em torno de 20 a 22 g de proteína de alta qualidade, com todos os aminoácidos essenciais, o que contribui para manutenção de massa muscular, saciedade e recuperação do organismo.

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Por ser mais leve que carnes vermelhas e de fácil digestão, a cavalinha é bem tolerada por diferentes faixas etárias, incluindo idosos, que costumam ter maior dificuldade com proteínas mais pesadas. Além disso, o peixe é apontado como fonte de vitaminas e minerais importantes, como vitaminas do complexo B, vitamina D e nutrientes que participam do equilíbrio do metabolismo e do sistema imunológico.

  • Boa quantidade de proteínas por porção.
  • Presença de ômega-3 em níveis relevantes.
  • Perfil de gordura favorável à saúde cardiovascular.
  • Aporte de vitaminas e minerais essenciais, com baixa carga calórica.

Aliada do coração, do cérebro e da imunidade

Os ácidos graxos ômega-3 presentes na cavalinha têm atuação direta na proteção do sistema cardiovascular, ajudando a controlar processos inflamatórios e a favorecer o equilíbrio de colesterol e triglicerídeos quando inseridos em um padrão alimentar saudável. Esse efeito é um dos motivos pelos quais cardiologistas e nutricionistas costumam recomendar o consumo regular de peixes ricos em ômega-3.

No cérebro, o ômega-3 participa da formação das membranas das células nervosas e tem relação com funções como memória, concentração e regulação do humor. Já o conjunto de vitaminas e minerais encontrados na cavalinha contribui para o sistema imunológico, para o metabolismo energético e para a manutenção da saúde óssea.

Acessível, versátil e presente no Brasil inteiro

Um dos grandes trunfos da cavalinha é a facilidade de acesso. O peixe é amplamente encontrado no Brasil, em versões fresca e congelada, o que permite que famílias de diferentes regiões mantenham uma alimentação equilibrada sem precisar recorrer a produtos caros ou difíceis de encontrar.

Essa disponibilidade favorece seu uso em preparações variadas, desde receitas simples de forno e panela até pratos mais elaborados, em restaurantes que começam a apostar na valorização de ingredientes populares. Na prática, a combinação de preço acessível, alto valor nutricional e versatilidade na cozinha ajuda a romper a antiga associação da cavalinha apenas à “mesa simples”.

Menos metais pesados, mais segurança

Outro ponto frequentemente citado por especialistas é o fato de a cavalinha ser um peixe de pequeno porte. Em comparação a espécies maiores predadoras, ela tende to acumular quantidades muito menores de mercúrio e outros metais pesados ao longo da cadeia alimentar.

Isso significa que, dentro de um consumo equilibrado, a cavalinha é considerada uma opção segura para ser incluída com mais frequência na rotina alimentar da maior parte da população.

Como incluir a cavalinha no dia a dia

Na prática, incluir a cavalinha no cardápio pode ser mais simples do que parece, especialmente para quem já tem o hábito de consumir peixe. Ela pode ser preparada grelhada, assada, cozida com legumes, em ensopados ou até desfiada para compor recheios de tortas e sanduíches.

  • Preferir preparos assados, grelhados ou cozidos.
  • Combinar com legumes, verduras e grãos integrais.
  • Consumir pelo menos uma ou duas vezes por semana.

Ao olhar para esse conjunto de fatores – preço, disponibilidade, qualidade nutricional e segurança – a antiga fama de “peixe de pobre” perde totalmente o sentido diante do que a ciência da nutrição mostra hoje. A cavalinha se consolida como um superaliado da alimentação saudável.

Cada vez mais recomendada em consultórios e valorizada em cozinhas profissionais, a cavalinha representa uma oportunidade concreta de melhorar a qualidade da alimentação sem pesar no bolso, ressignificando o que se entende por comida simples e mostrando que, muitas vezes, o verdadeiro luxo está na saúde que o prato oferece.

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