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Casos de câncer de tireoide crescem no mundo: os motivos por trás do aumento

Aumento global da incidência de câncer de tireoide tem sido impulsionado por mais exames, mas parte desse salto pode refletir sobrediagnóstico.

Pollyana Leite

23 de novembro de 2025 às 10:40   - Atualizado às 10:42

Exame de ultrassonografia de tireoide, ferramenta cada vez mais utilizada na detecção de tumores.

Exame de ultrassonografia de tireoide, ferramenta cada vez mais utilizada na detecção de tumores. Foto: Freepik

O câncer de tireoide tem registrado um crescimento notável em incidência em todo o mundo. Segundo estudos recentes, os números não param de subir e há uma série de fatores contribuindo para esse fenômeno.

De acordo com dados da Agência Internacional para Pesquisa sobre o Câncer (IARC), foram estimados cerca de 590 mil novos casos de câncer de tireoide em 2020. Um estudo mais recente também aponta para uma tendência contínua de aumento, fortalecendo o entendimento de que não se trata de uma flutuação momentânea.

Especialistas levantam que parte do crescimento pode vir de um fenômeno chamado sobrediagnóstico. Em regiões em que há mais acesso a exames como ultrassonografia, por exemplo, médicos têm identificado mais nódulos muito pequenos que antes não eram detectados. Esses nódulos nem sempre evoluem para algo grave, mas acabam registrados como câncer.

No Brasil, a situação reflete essa disparidade: regiões com maior poder aquisitivo e melhor infraestrutura de saúde apresentam incidência muito mais alta. Um estudo comparou dados da cidade de São Paulo com municípios da região de Barretos e encontrou que a taxa de câncer de tireoide era três vezes maior em São Paulo, justamente onde os exames são mais acessíveis.

Por outro lado, não é só o diagnóstico por meio de imagens que está impulsionando os casos. Pesquisadores observam sinais de aumento real da doença, não apenas de detecção. Um trabalho publicado pela Endocrine Society revelou que a incidência subiu para todos os tamanhos de tumor, incluindo os maiores, e que a mortalidade relacionada ao câncer de tireoide também apresenta tendência de alta em determinados grupos, como homens e pacientes com tumores de 2 a 4 cm.

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Dados globais reforçam essa percepção: um estudo recente da BMC Public Health mostra que, mesmo com a mortalidade relativamente baixa, o número de casos está crescendo a ponto de gerar impactos econômicos e sobrecarga nos sistemas de saúde.

Há ainda outros elementos apontados por especialistas. Por exemplo, a popularização de exames de imagem pode ter “inflado” os números, mas fatores ambientais ou de estilo de vida também podem desempenhar papel. Alguns cientistas mencionam que a exposição a radiações (como as de tomografias), dietas pobres em iodo e até condições genéticas podem contribuir com parte desse aumento.

No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional de Câncer (Inca), o câncer de tireoide aparece entre os tipos mais diagnosticados, especialmente entre mulheres. Um levantamento do período entre 2013 e 2023, por exemplo, registrou quase 40 mil mulheres com diagnóstico dessa doença, com a maioria delas entre 40 e 59 anos.

Além disso, a desigualdade social se reflete fortemente no acesso aos exames: um estudo de regiões paulistas constatou que, nas áreas de classe socioeconômica mais alta, os diagnósticos de câncer de tireoide eram bem mais frequentes em comparação com regiões de menor renda. 

Organismos internacionais como a OMS já alertaram sobre os riscos de sobrediagnosticar a doença. Quando pessoas recebem diagnóstico de tumores que provavelmente não causariam problemas, podem ser submetidas a tratamentos como a remoção da tireoide que demandam remédios para o resto da vida.

Ao mesmo tempo, existe a preocupação legítima com os casos verdadeiramente agressivos. Médicos destacam que nem todo diagnóstico precoce é só “alarme falso”; há tumores maiores e mais avançados sendo identificados, o que sugere que parte desse aumento é uma elevação real da prevalência da doença.

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