Pessoa segurando cordão do Espectro Autista. Foto: Roberto Dziura Jr/AEN-PR
Pesquisas recentes nas áreas de Psicologia Evolucionista e Genética de Populações têm levantado a hipótese de que o transtorno do espectro autista (TEA) possa representar uma variação cognitiva mantida, e possivelmente ampliada, ao longo da evolução humana por meio da seleção natural.
Essa interpretação ganhou força com um estudo conduzido por Starr e Fraser, da Universidade de Stanford, publicado recentemente na revista científica Molecular Biology and Evolution. Os pesquisadores descrevem um possível mecanismo celular associado a esse processo evolutivo.
O trabalho analisou um tipo específico de neurônio excitatório do neocórtex, responsável por transmitir sinais que ativam outros neurônios e considerado essencial para funções cognitivas complexas. Segundo o estudo, esses neurônios apresentaram uma taxa de evolução significativamente mais rápida na linhagem humana quando comparada à de outros primatas.
De acordo com os autores, essa evolução acelerada coincidiu com uma redução expressiva na expressão de genes cuja menor atividade está estatisticamente associada a um maior risco de diagnóstico de TEA.
O achado sugere que o desenvolvimento de capacidades cognitivas avançadas pode ter ocorrido em conjunto com um efeito colateral evolutivo: a diminuição da expressão de genes ligados à proteção do neurodesenvolvimento.
Na avaliação dos pesquisadores, as mesmas pressões seletivas que contribuíram para o aprimoramento da inteligência humana e da capacidade de processamento complexo podem ter aumentado, como subproduto, a prevalência de traços associados ao espectro autista. Isso levanta a possibilidade de que, em ambientes ancestrais, esse perfil cognitivo tenha oferecido vantagens adaptativas relevantes.
O debate ocorre em um contexto de aumento expressivo nos diagnósticos de autismo. Dados do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC) indicam que atualmente uma em cada 36 crianças no país recebe diagnóstico dentro do espectro.
Embora parte desse crescimento seja atribuída à ampliação dos critérios diagnósticos e à maior conscientização, pesquisadores discutem a possibilidade de fatores adicionais estarem contribuindo para a tendência observada.
Estudos semelhantes vêm sendo registrados em países de alta renda, como Estados Unidos, Reino Unido, Dinamarca, Coreia do Sul e Japão. Segundo Starr e Fraser, os dados genéticos apresentados no estudo oferecem uma explicação alternativa a hipóteses ambientais sem comprovação científica, ao sugerirem que mecanismos evolutivos e genéticos possam estar relacionados a um aumento real na prevalência de traços do espectro autista.
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