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Anvisa investiga mortes e 225 casos suspeitos de pancreatite associados a canetas emagrecedoras

Notificações incluem seis mortes suspeitas e envolvem medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1.

Fernanda Diniz

07 de fevereiro de 2026 às 18:05   - Atualizado às 18:25

Remédio Mounjaro para emagrecimento.

Remédio Mounjaro para emagrecimento. Foto: Reprodução

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) investiga 225 casos suspeitos de pancreatite associados ao uso de medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras, notificados desde 2018.

Entre esses registros, seis mortes suspeitas no Brasil podem ter relação com a inflamação do pâncreas após o uso dessas substâncias, segundo dados do sistema oficial VigiMed e de pesquisas clínicas em andamento.

Todos os casos ainda passam por análise técnica, e a Anvisa reforça que não é possível afirmar, até o momento, uma relação direta de causa e efeito entre os medicamentos e os desfechos graves.

Quais medicamentos estão sob análise

As notificações envolvem fármacos da classe dos agonistas do GLP-1, indicados principalmente para o tratamento de diabetes tipo 2 e obesidade. Entre as substâncias citadas estão:

  • Semaglutida

  • Liraglutida

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  • Lixisenatida

  • Tirzepatida

  • Dulaglutida

  • No VigiMed, aparecem marcas conhecidas como Ozempic, Wegovy, Saxenda, Victoza, Trulicity, Rybelsus, Xultophy e Mounjaro.

    A agência faz um alerta importante: nem todos os casos podem estar relacionados a medicamentos originais, já que há registros de uso de canetas falsas, manipuladas ou adquiridas de forma irregular, um mercado ilegal que pode movimentar cerca de R$ 600 milhões por ano no Brasil.

    Onde os casos foram registrados

    As notificações de pancreatite foram registradas em estados como São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal. Já os estados onde ocorreram as mortes suspeitas não foram informados pela Anvisa.

    Especialistas ressaltam que o número pode ser subestimado, já que a notificação de eventos adversos não é obrigatória para médicos e hospitais, e não há dados oficiais sobre quantas pessoas utilizam esses medicamentos no país — o que impede calcular o risco real.

    Contexto internacional reforça atenção

    O debate ganhou força após um alerta no Reino Unido, onde autoridades investigam 19 mortes suspeitas associadas ao uso desses medicamentos. Em escala global, já foram registradas:

    • 14.530 notificações de pancreatite

    • 378 mortes suspeitas

    Mesmo assim, órgãos reguladores internacionais mantêm a orientação de uso com prescrição e acompanhamento médico, sem recomendação de suspensão generalizada.

    O que dizem especialistas

    Segundo endocrinologistas e entidades médicas, o risco de pancreatite já é conhecido e consta nas bulas dos medicamentos. A pancreatite aguda é classificada como reação adversa incomum, mas possível.

    Além disso, o público que utiliza essas canetas — pessoas com obesidade e diabetes — já possui maior risco natural de desenvolver pancreatite, o que dificulta estabelecer uma relação direta.

    “Esses remédios são importantes e salvam vidas, mas podem se tornar perigosos se usados sem indicação médica ou adquiridos de fontes duvidosas”, afirma Alexandre Hohl, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e da Síndrome Metabólica (Abeso).

    O principal risco está no uso irregular

    Para a Anvisa, o maior fator de risco identificado até agora é o uso sem orientação médica, especialmente de produtos manipulados ou ilegais. A ausência de avaliação clínica, controle de dose e monitoramento pode levar a complicações graves.

    Desde abril de 2025, a venda desses medicamentos passou a exigir retenção de receita médica. A agência considera a medida adequada no momento, mas não descarta novas ações regulatórias, dependendo do avanço das investigações.

    Orientação aos pacientes

    As bulas recomendam que pacientes sejam informados sobre sintomas como dor abdominal intensa, náuseas persistentes e vômitos. Em caso de suspeita de pancreatite, o tratamento deve ser interrompido imediatamente, com avaliação médica urgente.

    A Anvisa reforça que os medicamentos continuam autorizados, desde que usados com indicação correta, acompanhamento profissional e origem regular, evitando riscos desnecessários à saúde.

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