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Vocalista do Coletivo Candiero comenta música polêmica "Auê": 'Cristãos desprezam a própria cultura'

A faixa causou polêmica após alguns ouvintes entenderem que a letra faz referências a Zé Pilintra e Maria Padilha, entidades reverenciadas em religiões afro-brasileiras.

Cami Cardoso

04 de fevereiro de 2026 às 00:00   - Atualizado às 00:09

Vocalista do Coletivo Candiero comenta música polêmica "Auê": 'Cristãos desprezam a própria cultura'

Vocalista do Coletivo Candiero comenta música polêmica "Auê": 'Cristãos desprezam a própria cultura' Foto: Reprodução / YouTube

A cantora Ana Heloysa, do Coletivo Candiero, falou pela primeira vez sobre a polêmica envolvendo o último lançamento do grupo gospel, "Aue - A Fé Ganhou". Para ela, a reação do público foi “maldosa, presunçosa e preconceituosa”, e afirmou ainda que “os cristãos brasileiros desprezam a própria cultura”.

“Entendo que colocar novos sabores e cores na música cristã no Brasil causa esse incômodo porque estamos acostumados com um tipo de música das nossas igrejas que é muito diferente disso. Isso faz com que o cristão brasileiro despreze a própria cultura de seu país.”

Os trechos mais questionados pelos cristãos são os que citam “Zé” e “Maria”. Alguns ouvintes entenderam que os nomes seriam claras referências a Zé Pilintra e Maria Padilha, entidades reverenciadas em religiões afro-brasileiras. Ana explica que a escolha dos nomes não passa de coincidência e que a intenção era “citar pessoas comuns de nosso país”.

“Sobre a música em específico, quando citamos o Zé e a Maria, o objetivo era mencionar pessoas comuns de nosso país. Muita gente vai estranhar porque falta leitura, bagagem. Por que sacralizamos um piano que foi tocado por um músico genial, mas que tinha uma vida nada pura, e demonizamos instrumentos tocados por pessoas que têm crenças diferentes, mas uma cor de pele específica? Essa música toca na ferida do racismo. Se alguma pessoa que tem essa crença chegar à sua igreja, como ela será recebida?”

Relembre a polêmica

ministro do evangelho Leonardo comentou, nesta segunda-feira, 2 de fevereiro, em suas redes sociais, a repercussão da música “Auê (A Fé Ganhou)”, de Marco Telles & Coletivo Candiero, que viralizou nas últimas semanas e passou a ser tema de debates entre internautas e comunidades religiosas.

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Lançada recentemente, a canção provocou reações negativas em setores do meio evangélico, após trechos da letra serem interpretados por parte do público cristão como possíveis referências à chamada “macumbaria”.

Pastores, cantores e teólogos têm se manifestado contrários ao conteúdo, apontando o que consideram sincretismo religioso e alusões a entidades como Zé Pelintra e Maria Padilha, vistas por esses grupos como incompatíveis com os princípios da fé cristã.

Durante a publicação, Leonardo leu partes da letra da música e analisou também a vestimenta do cantor, destacando elementos que, segundo ele, poderiam remeter a símbolos de outras religiões.

O posicionamento do ministro reforçou o debate que vem ganhando espaço nas redes sociais e no meio religioso sobre os limites entre expressão artística e crença religiosa.

Confira a letra da música

Pode entrar, eu ouvi
Alagou o olhar
Quando o lustre tá no chão
Onde os meus estão?

Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora, com as mãos estendidas
Você quer me levantar, diz que aqui é meu lugar
Com minhas roupas, minhas falhas, minhas brigas

Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora, com as mãos estendidas
Você quer me levantar, diz que aqui é meu lugar
Com minhas roupas, minhas falhas, minhas birras

Auê (auê-auê, auê-ah, auê-auê)
(Auê-ah, auê, auê-ah, auê-auê)

Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora, com as mãos estendidas
Você quer me levantar e diz que aqui é meu lugar
Com minhas roupas, minhas falhas, minhas birras

Agora que o Zé entrou e todo mundo viu
E todo mundo olhou, e todo mundo riu
Ninguém se acostumou, mas o céu se abriu
Agora que a fé ganhou e a Maria sambou
Sua saia balançou, alguém se incomodou
Com a cor que ela mostrou, mas o céu coloriu

Agora que o Zé entrou e todo mundo viu
E todo mundo olhou, e todo mundo riu
Ninguém se acostumou, mas o céu se abriu
Agora que a fé ganhou e a Maria sambou
Sua saia balançou, alguém se incomodou
Com a cor que ela mostrou, mas o céu coloriu (mas o céu coloriu)

Auê, dança na ciranda da fé
Que te abriu (que te abriu) as portas
Auê, solta tua criança até
Explodir em glória

Auê, dança na ciranda da fé
Que te abriu as portas
Auê, solta tua criança até
Explodir em glória

Com a folha, eu aprendi como se deve cair
E agora (e agora), e agora (e agora)

Auê, dança na ciranda da fé
Que te abriu as portas
Auê, solta tua criança até
Explodir em glória

Auê (emolêbamemoê-ê-ê)
Dança na ciranda da fé (emolêbamemoê-ê-ê)
Que te abriu, abriu as portas (abriu as portas)
Auê, solta tua criança até
Explodir em (explodir) glória (emalêbamemoê-ê-ê)

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